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Arquivos sobre Budismo do Dr. Alexander Berzin

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Examinando o Karma Imediatamente Depois de Setembro de 2011

Alexander Berzin, 

Mexico City, México, 22-23 de setembro de 2001.
Transcrição ligeiramente editada
Traduzido por Antonella Yllana

Sessão 1: Bingo Kármico

Introdução: A Complexidade do Karma

Karma é um tópico que tem a ver com tudo aquilo que acontece conosco e com as razões que levam a isso. Trata-se de algo muito relevante para todos nós, em um nível pessoal, não algo que esteja fora da esfera de nossas vidas. Se pudermos começar a entender o karma e como ele funciona, podemos começar a entender o que ocorre em nossas vidas e como lidar com isso. O tópico do karma também nos traz para o tópico da ética no budismo, que lida com como nós nos comportamos e como isso afeta aquilo que ocorre conosco.

O karma se refere à causa e ao efeito comportamentais. Em outras palavras, não estamos apenas falando sobre a causa e o efeito em objetos físicos, mas a relação de causa e efeito entre o nosso comportamento e a nossa experiência. É claro que temos que incluir as relações de causa e efeito de objetos externos. Nós batemos contra uma mesa e, por ela ser sólida, isso dói. Fatores como o clima, a história, a política, a economia, e assim por diante, também afetam a nossa experiência. De fato, se começarmos a pensar nisso, vemos que absolutamente tudo aquilo que já aconteceu historicamente influencia a nossa experiência.

Se começarmos a pensar sobre o que é a história, isto também não é tão simples. A história é apenas uma abstração imputada sobre aquilo que todo mundo fez no universo. É apenas uma forma de organizar e explicar o que milhões e milhões de seres fizeram. É incrivelmente complexo. Então, os eventos históricos, como os aviões batendo contra o World Trade Center na semana passada, não são simplesmente eventos monolíticos sólidos que darão forma às experiências que nós e todos teremos como consequência disso no futuro. Muitas, muitas coisas contribuíram para este evento trágico; muitas coisas se conectaram e trabalharam juntas durante este evento; cada um lembrará diferentes coisas sobre o evento; e muitas, muitas coisas serão afetadas por ele no futuro. Isto é história.

A nossa experiência e o nosso comportamento, que é baseado em nossa experiência, é a coisa mais complicada que existe. Mesmo se não entendermos realmente ou pensarmos em termos de renascimento, tudo aquilo que todo mundo já fez afeta a nossa experiência e o nosso comportamento. Tudo aquilo que nós fizemos em nossas vidas também afeta a nossa experiência e o nosso comportamento. De um ponto de vista budista, isso inclui tudo aquilo que fizemos e que todos fizeram também nas vidas passadas, não apenas nesta vida.

Aqui o termo “rede” é bastante útil. Quando pensamos em karma, temos que pensar nesta inacreditável rede feita de tudo aquilo que todos fizeram, interconectando-se e afetando tudo aquilo que todo mundo vivencia e faz. É muito interessante porque não é simétrico. Se fosse simétrico, o comportamento e a experiência de todo mundo seria exatamente a mesma. Vamos usar uma analogia, o Big Bang. Se tudo começasse de um ponto, então não parece que todos os sistemas estelares e todo o universo estendendo-se a partir deste ponto deveria ser simétrico? Mas não é. O que podemos concluir a partir disto? Somos todos indivíduos. Não somos idênticos. Embora sejamos influenciados pelas mesmas coisas, temos nosso karma individual. E não há um início. Se houvesse um início, tudo deveria ser simétrico. Pense sobre isso. Podemos então começar a apreciar a complexidade do karma.

A Necessidade de Onisciência para Saber Tudo sobre Karma

Para ser capaz de entender tudo isso, temos que ser oniscientes, pois temos que ser capazes de entender tudo e como tudo está interligado. Portanto, apenas um Buda pode entender o karma completamente. Quando pensamos sobre onisciência, precisamos tentar entender que não estamos falando sobre pequenas cápsulas de informação isolada ou informações relativas a todos, como uma super rede espiã. Trata-se mais do conhecimento a respeito de toda a rede, sendo que tudo está interconectado de forma interdimensional. Não existe algo como uma informação isolada. Quando falamos de algo, isso dá a impressão de que se trata de uma informação isolada. O conhecimento de um Buda envolve a rede completa, esta rede incrível do karma. Isso é a sabedoria de uma mente onisciente, ela sabe tudo de uma vez só. Se você conhece toda a rede, você conhece tudo ao mesmo tempo.

Também não é assim que na mente de um Buda há um zilhão de informações ocorrendo ao mesmo tempo. Por que? Por que estamos imaginando que a mente de um Buda trabalha de forma conceitual. Pensar de forma conceitual quer dizer que há uma vozinha dentro de nossas cabeças dizendo: “O número de telefone desta pessoa é blábláblá.” O Buda não tem uma vozinha em sua cabeça falando ao mesmo tempo sobre todas as informações do universo. Quando temos dificuldades para imaginar a onisciência é porque estamos pensando nisso de forma conceitual. Ela é não conceitual. Não há uma vozinha falando todas as informações. Ela é direta. Trata-se de ver a rede completa, mas se quisermos ver uma pequena parte e colocá-la em palavras, nós podemos fazer isso.

De fato, quando falamos sobre itens individuais, eles são apenas aquilo que poderia ser isolado por palavras e conceitos desta rede interconectada. Quando nós os isolamos com palavras e conceitos, eles são aquilo ao que as palavras e conceitos se referem. Mas eles não realmente existem desta forma porque eles existem de forma totalmente inter-relacionada. É sobre isso que a vacuidade e a origem interdependente estão falando. As coisas não existem como pequenas peças isoladas de informação. Tudo está inter-relacionado e pode ser isolado por palavras e conceitos e é a isso que eles se referem, mas eles não realmente existem desta forma.

Reconhecendo Nossas Visões Inexatas

Se o nosso tema karma é algo que apenas um Buda pode compreender totalmente, a pergunta é: como é que normalmente vemos aquilo que nos acontece e aquilo que acontece com os outros? O método budista não visa apenas nos ensinar uma descrição correta do que está ocorrendo no universo. O que precisamos fazer é identificar nossas visões errôneas e inexatas e nos convencer que elas são absurdas. Essas visões inexatas estão realmente erradas, então podemos deixá-las de lado. Ao mesmo tempo, quando entendemos uma descrição correta, precisamos nos convencer de que ela realmente é correta.

Lembre-se que a palavra Buda, sang-gyay (sangs-rgyas) em tibetano é feita de duas sílabas. A primeira sílaba quer dizer desocupar, purificar, ou se livrar de toda a confusão, dos mal-entendidos, das limitações e assim por diante. A segunda sílaba, gyay, quer dizer expandir, crescer com um entendimento correto e qualidades positivas. Este é o processo de se tornar um Buda, esclarecer confusão, tirar o lixo e trabalhar nas coisas positivas.

Para tirar o lixo de nossas casas, primeiro temos que achá-lo. Em nosso computador, temos que achar os defeitos e vírus antes de poder deletá-los. Temos que olhar para algumas formas alternativas de descrição daquilo que nos acontece e daquilo que acontece no universo para ver se elas são algo que precisamos deletar do sistema interno do computador de nossas mentes. Quando tivermos limpado o nosso HD interno, podemos então instalar alguns programas bem mais funcionais. Então, quando falamos sobre essas alternativas, temos que tentar reconhecê-las em nós mesmos para ver se realmente pensamos assim.

Acaso

Muitas pessoas pensam que aquilo que nos acontece é um mero acaso, o que quer dizer que não temos escolha. Será que as coisas ocorrem de forma fortuita? “Eu acabei de encontrar você na rua por acaso.” “Por acaso, eu fui à loja e havia uma promoção.” Isso quer dizer que não havia uma causa. Como pode ser que não havia causa? Em que tipo de vida isto implica? Isto implica que não há causa para nada que ocorre. Será que foi só por acaso que na semana passada dois aviões se chocaram contra o World Trade Center? Esta não é uma forma muito útil de olhar para aquilo que ocorre na vida, não acham?

O que é interessante é que embora possamos descartar o acaso como uma explicação satisfatória para um avião que se choca contra um edifício, não podemos descartá-la quando explicamos o encontro com alguém na rua. Temos que achar nossos próprios exemplos. Talvez não aceitemos o acaso para explicar tudo, mas temos a tendência a pensar que ele explica algumas coisas. Aonde isso nos leva? Se algumas coisas no universo não acontecem por acaso e outras acontecem, quais são as regras? Isso é bem complicado, não é mesmo? Então, o acaso não é uma solução nem uma explicação satisfatória. Um grande sinal surge em nossa tela interna: Deletar!

Seria muito bom se pudéssemos simplesmente deletar essas ideias de nosso HD mental apertando um botão, mas trata-se de um vírus bem insidioso e desagradável que sempre fica aparecendo de novo em nosso sistema. Temos que estar muito alertas para perceber quando ele volta a surgir e nos assegurar que o deletamos. Se o deletarmos muitas vezes, nós o tiraremos de nosso sistema. Este é o processo de purificação.

No entanto, temos que ter um pouco de cuidado ao usar a analogia do computador, pois se a levarmos muito adiante, isso poderia levar à posição niilista que afirma que podemos deletar tudo aquilo que há em nosso HD e ficar com nada dentro.

Os programas infectados são difíceis de deletar completamente, mas é possível livrar-se deles para sempre. Uma vez que tivermos os programas corretos e alcançarmos certo estágio nos quais formos competentes com eles, o sistema nunca entrará em pane. Antes de sermos competentes com os novos programas, ele pode entrar em pane porque não temos familiaridade suficiente com eles. Quando temos um novo programa, temos que descobrir os erros e nos livrar deles. Isto é análogo a não ter um entendimento correto do Dharma. Uma vez que nos livrarmos dos erros, o programa ficará estável.

Com esta analogia, podemos apreciar o processo do debate que é usado na tradição tibetana para aprender o Dharma. Se tentarmos descobrir todos os erros no sistema e tentarmos removê-los nós mesmos, ficará muito difícil. Não apenas será difícil, ficaremos cansados de fazer isso. Não faremos de forma completa. Se tivermos muitos experts cheios de energia examinando e testando nosso sistema e achando todos os seus erros, que é o que acontece em debates quando as pessoas desafiam o nosso entendimento, então descobriremos todos os erros e nos livraremos deles de forma bem mais eficiente

Probabilidade Matemática

Uma variável da ideia de acaso seria dizer que as coisas acontecem de acordo com a probabilidade matemática. Esta é uma explicação científica bacana. “Se eu ligar para você muitas vezes, existe uma probabilidade matemática que em algum momento você parará de falar no telefone e eu conseguirei falar com você.” Existe uma probabilidade matemática que, se muitos aviões estiverem voando, um deles colidirá com o World Trade Center.

Será que esta é uma boa explicação? Será que podemos calcular isso em um supercomputador e receber uma resposta exata? Isso soa muito bem e científico, mas não é realmente assim que as coisas acontecem, não é? Não podemos simplesmente reduzir tudo a uma fórmula de probabilidade matemática. Mesmo embora os cientistas tentem nos convencer que, se houver milhões de macacos sentados na frente de computadores, e se houver tempo o suficiente, um deles acabará escrevendo obras completas de Shakespeare... Eu não estou totalmente convencido disso. Novamente, o alarme soa: deletar!

Sorte

A próxima alternativa é sorte. As coisas acontecem por sorte. “É uma grande sorte que eu não fui trabalhar cedo e eu não estava em meu escritório no World Trade Center.” “Aquela pessoa teve muito azar de estar naquele edifício.” É assim que ocorrem as coisas? O que significa isso? “Hoje é o meu dia de sorte.” Realmente pensamos assim de vez em quando.

Isso implica uma sorte inerente, uma pessoa que tem esta sorte inerente ou um dia que é inerentemente cheio de sorte sem que haja razão alguma para isso. Não é realmente assim que as coisas funcionam, mesmo embora pensemos que se meditarmos o suficiente, talvez tenhamos sorte e nos tornemos um buda. Temos que levar isso à sua conclusão mais absurda. Temos que deletar essa ideia também.

Destino

A próxima alternativa é que as coisas ocorrem por destino. “Foi o meu destino encontrar o meu amado.” Podemos pensar nisso de uma forma impessoal: “as coisas são simplesmente assim.” “Foi o destino de todas essas pessoas morrer neste ataque terrorista.”

Mas o destino também inclui algo de fixo, que existe inerentemente, que nada pode mudar, e assim por diante. Isso tampouco realmente explica as coisas. Temos a tendência a pensar assim às vezes. “Qual o meu destino na vida?” Novamente, temos que nos examinar. Será que realmente pensamos assim às vezes? Será que é meu destino de fazer algo de grandioso, então tudo o que tenho que fazer é sentar e deixar as coisas acontecerem?

A Vontade de Deus

Poderíamos levar isso em outra direção e dizer que o destino não é impessoal, mas é pessoal no sentido de que aquilo que ocorre é a vontade de Deus. “Este ataque nos edifícios de Nova Iorque e Washington foi a vontade de Deus.” Para algumas pessoas esta é uma explicação satisfatória. Mas então, por que Deus queria que isso ocorresse? Podemos dizer que não entendemos os caminhos de Deus, mas que Deus deve ter uma boa razão. Será que esta é uma forma eficiente de lidar com a vida? E quanto às pessoas que dizem que é a vontade de Deus que eu sequestre o avião e colida contra o edifício? Muitas pessoas dizem que sabem o que é a vontade de Deus e tentam nos informar a respeito dela. Temos que examinar isso para saber se esta é realmente uma explicação satisfatória daquilo que ocorre no mundo e em nossas vidas. Isso traz muitas contradições. Por que um ser onipotente, compassivo e clemente quer causar uma tragédia? Este é um problema muito difícil em sistemas teológicos. Trata-se de uma das questões centrais. Se Deus é onipotente e compassivo, por que ele permite o sofrimento? Trata-se de um problema difícil.

Boa Ventura

A próxima explicação possível vem do antigo império romano: o conceito de ventura. Boa ou má ventura. Se alguém ganha uma batalha, isso significa que a deusa Ventura sorriu para ele. Os romanos jogavam gladiadores na arena com os leões e ficavam olhando para ver quem seria o venturoso, o ganhador. Esta é a ideia de que o poder torna correto quem o tem. O vencedor é quem está certo.

De acordo com esta visão, os sequestradores tiveram a boa ventura de ter sucesso ao realizar aquilo que estavam fazendo e as pessoas que foram mortas tiveram a má ventura de serem os perdedores naquilo que sucedeu. Que tipo de sistema ético é gerado por isso? “Se eu for bem-sucedido, sou venturoso, então isso é bom, e não importa quais meios uso para ter sucesso.” Nós nos lançamos nos negócios pensando que não importa quão corruptos nós somos. Se tivermos sucesso somos afortunados. É bastante esclarecedor ver como somos influenciados por esses antigos sistemas de pensamento. Podemos deletar este também.

Lei e Ordem

O outro conjunto de sistemas de crenças é que as coisas ocorrem de acordo com procedimentos legais. Uma visão é em termos de leis, recompensas e punições divinas. Há leis feitas por algum ser supremo no céu. Se seguirmos as leis, somos recompensados, se não as seguirmos, somos punidos. De acordo com esta visão, os ataques nos EUA ocorreram por causa da corrupção moral nos EUA. Há líderes religiosos que realmente explicaram isso assim, que Deus estava punindo os EUA por causa dos direitos gays e direitos de aborto, etc. Será que esta é uma explicação que nos parece aceitável? Não é uma explicação muito legal, não é? Especialmente porque há tantas versões das leis de Deus dependendo das diferentes religiões. Como saber qual está correta, tirando a premissa que diz: “a minha está certa”?

Uma variável disso, da Grécia Antiga, é que aquilo que ocorre é baseado na obediência às leis que são feitas em nível secular pelos legisladores. Esta é uma explicação muito tentadora. A presença dela é bastante forte nos EUA. O que ocorreu em setembro de 2011 foi porque as pessoas quebraram a lei. “Se apenas pudéssemos fazer com que cumprissem melhor a lei, algo assim nunca mais ocorreria.”

Será que isso não é um tanto ingênuo? Este é o pensamento da Grécia Antiga: se todos seguirem a legislação e forem bons cidadãos, então a sociedade funcionará bem. Se as pessoas não seguirem as leis, elas precisarão ser punidas e colocadas na prisão. “Ache e puna o Bin Laden. Isso resolverá o problema.” “O problema apenas foi causado por esses maus cidadãos. Não há outras causas.” “Essas pessoas não seguem as leis, elas são más. Portanto, a solução é a aplicação da lei e ter mais polícia.” Será que esta é uma boa explicação para aquilo que ocorre na vida? Podemos rejeitar esta explicação também.

Destino Kármico

Olhemos para algumas formas não ocidentais de pensamento. Na explicação hindu, o karma é descrito como um tipo de destino. Todos nascemos em certas castas. Se vivermos de acordo com as ações apropriadas a esta casta, tudo irá bem e teremos um renascimento melhor. Se nascermos como mulher, obviamente o nosso dever será casar, ter filhos, ser uma boa dona de casa, servir nosso marido, lavar os pés de nossa sogra, etc. Se todas as mulheres fizerem isso e os homens cumprirem seus deveres de casta, a sociedade funcionará de forma harmoniosa e tudo irá bem. Se rejeitarmos os nossos deveres de casta e tentarmos fazer algo fora dela, haverá caos. No Bhagavad Gita, por exemplo, quando o Arjuna enfrenta o dilema de lutar ou não lutar em uma guerra contra seus parentes, Krishna lhe diz que ele tem que cumprir seus deveres e que é melhor morrer cumprindo o dever do que abster-se.

Talvez isso tenha feito com que a sociedade indiana fosse muito estável, mas quais são as implicações de aplicar isso à situação de nosso mundo moderno? Os EUA são um superpoder. Eles são sua própria casta. Quais são os deveres desta casta? Ser policiais do mundo e lutar esta guerra de “Infinita Justiça” para libertar o mundo do mal. Se a América não seguir os seus deveres de casta, o caos e o mal governarão. Os demônios virão e tomarão o poder. Trata-se de um perfeito exemplo deste antigo pensamento hindu, não é mesmo? Será que este tipo de sistema de ética e explicação daquilo que ocorre no mundo é satisfatório para nós, ou novamente apertamos o botão de deletar?

Conformidade

Vamos olhar para os sistemas chineses. No pensamento de Confúcio, há certas normas ou papéis a serem preenchidos na sociedade. Se vivermos de acordo com esses papéis, tudo será harmonioso. Essas normas mudarão, então teremos que fluir com a mudança. Se ficarmos em harmonia com as mudanças como foram ditadas pelo imperador ou presidente, tudo será maravilhoso. Esta é a ética e a mentalidade da conformidade. Siga a moda. O cumprimento da calça deveria ser tal, etc. “Consiga um emprego e tudo irá bem, você ficará feliz.” Se o imperador ou a imperatriz da moda declarar que as saias têm que ter um cumprimento diferente e você se conformar com isso, tudo irá bem para você e você ficará feliz. Se não se conformar, você ficará de fora.

Muitos de nós pensam assim: se comprarmos uma casa legal, tivermos um bom emprego, e comprarmos um bom carro, seremos felizes. A conformidade traz felicidade. Todos os anos temos que comprar um novo computador. Temos quase a sensação de que é necessário, não temos? Aonde leva esta forma de pensar? Se o imperador declarar uma guerra, todo mundo tem que abanar a bandeira e entrar para o exército. Se todos fizerem isso, a justiça prevalecerá. Se não fizermos isso, nunca seremos felizes. Agora, os tempos pedem uma justiça veloz, pois o imperador declarou isso, e ele sabe das coisas. A tragédia ocorre apenas porque não somos suficientemente patrióticos. Se todos seguíssemos a forma americana de ser, isso nunca teria ocorrido.

Investimento Kármico

Examinemos agora o pensamento popular e simplista do budismo chinês e a sua visão do mundo. A palavra em sânscrito karma foi traduzida para o chinês com um caráter que muitas vezes é relacionado aos negócios. Então o karma é visto de uma forma simplista, como um investimento nos negócios. Praticar boas ações é como fazer um bom investimento, nós teremos um grande lucro. As pessoas que estavam presas no World Trade Center não eram negociantes muito bons em termos de karma. Será que pensamos que podemos comprar um bom andamento das coisas ao praticar boas ações? Será que podemos desenvolver um bom mérito como desenvolvemos uma boa conta no banco? É interessante examinarmos a nós mesmos para ver nossa tendência a pensar assim. Boas ações são um investimento kármico, uma boa apólice de seguro. Esta tampouco é exatamente uma abordagem correta para o budismo, não é?

Ética Humanista

Muitas vezes temos a tendência a pensar em termos daquilo que é chamado de “ética humanista”. Se não prejudicarmos os outros, seremos felizes. Se machucarmos os outros, as coisas não irão bem para nós. É uma forma confortável de olhar para a ética, para a maior parte de nós, mas será que isso realmente explica a nossa experiência? Muitas pessoas que morreram em Nova Iorque eram boas pessoas. Elas eram gentis, boazinhas com todo mundo. Elas não machucariam nem mesmo uma mosca e, ainda assim, morreram no colapso. Agora começamos e desafiar seriamente nosso entendimento do budismo, não é mesmo? O budismo não é um sistema de ética humanitária, mesmo embora adoraríamos que fosse. Não é tão simplista quanto apenas não machucar os outros. O que o budismo explica é que o efeito de nossas ações nos outros são incertas. Eu posso lhe dizer algo de forma muito inocente e você pode entender de uma forma completamente errada e ficar profundamente magoado. Como lidamos com isto em termos de ética humanista? Eu cozinhei uma boa refeição para você; minha plena intenção era de lhe dar prazer, e você a odiou. Ou pior ainda, você engasga e morre. Como é que a ética humanista explica isso? Ela também não é suficiente para explicar aquilo que acontece.

A Visão Budista Indo-Tibetana

Embora, é claro, tentemos seguir a linha guia de não prejudicar os outros, esta não é realmente a base da explicação budista de karma e ética. A explicação budista, a partir da tradição indo-tibetana, é: se as nossas ações estiverem sob a influência de emoções como a raiva, a cobiça ou a ingenuidade, então elas são destrutivas. Não importa qual o efeito que as minhas ações têm sobre os outros, elas terão um efeito destrutivo sobre mim e minha experiência no futuro. Eu posso roubar o seu carro e você pode ficar maravilhado de receber o dinheiro do seguro e conseguir um novo carro. O que é certo é o efeito sobre nós, não sobre os outros.

Quando nos examinamos, nós descobrimos que não apenas pensamos em termos de um sistema, mas geralmente trata-se de uma combinação deles. Pode ser que expliquemos algumas coisas em termos de sorte e outras coisas em termos de lei e ordem. É muito importante tentar reconhecer essas coisas em nós, trazê-las para a consciência, como diríamos na terminologia ocidental, e ficar cientes delas. Se examinarmos cada um desses sistemas e descobrirmos que são inaceitáveis, então quando notarmos que estamos pensando destas formas, podemos rejeitá-las.

Esta é uma maneira importante de neutralizar o sofrimento. Muitas pessoas têm sofrido como resultado de terem testemunhado e pensarem sobre os acontecimento nos EUA em setembro de 2011. Por que? Pode ser por causa da perda de vidas, mas será que as pessoas ficariam tão chateadas se um avião colidisse em um vilarejo na África e matasse o mesmo número de pessoas? Para a maioria das pessoas, isso não teria sido um choque tão grande. Pode-se dizer que isso foi produto da mídia sensacionalista, mas ela simplesmente é assim, sensacionalista. Quando analisamos, descobrimos que o que nos incomoda tanto é a sensação de insegurança. A América parecia impenetrável aos ataques antes, e agora a vida está insegura. As pessoas estão com medo de voar de avião e assim por diante. Podemos nos perguntar: “Por que eu me sinto assim? Qual explicação dos eventos eu estou usando aqui para me fazer sentir desta forma? Será que sinto que aquilo que acontece não tem uma causa, é simplesmente arbitrário?”

Antes, talvez pensássemos que estávamos no controle, ou o governo estava. Esta é outra visão errônea, a ideia de que pode haver uma autoridade forte o suficiente para evitar que coisas ruins aconteçam. Esta é a visão de uma criança: “Se o papai for forte o suficiente, eu ficarei protegido de todo mal.” Se isto for desafiado, significará que as coisas estão fora de controle. Tudo pode acontecer, o que implica pensar que as coisas acontecem ao acaso, sem razão. “Agora os malfeitores que não seguem as leis estão no controle.” Isto nos torna inseguros porque estamos pensando que aquilo que acontece no mundo é assim por causa do colapso da lei e da ordem. Se vencermos a guerra da “Infinita Justiça”, sendo que aqueles que estão ganhando estão certos, então será que estaremos seguros novamente? Será que isso realmente funcionará? Será que isso faz sentido? Será que estamos pensando desta forma? Se agitarmos bastante a bandeira, será que isso fará que nos sintamos mais seguros?

É muito interessante. Quando começamos a analisar isso desta forma, começamos a descobrir esta verdade que o budismo ensina: se tivermos uma atitude perturbadora, baseada em uma forma incorreta de ver o mundo, isto nos causará sofrimento. O termo klesha em sânscrito às vezes é traduzido como “emoções aflitivas”. Mas as emoções são apenas metade do quadro. Também podemos ter uma atitude perturbadora, ou uma visão perturbadora da vida, que nos causa sofrimento.

Considerando o Karma

Nós percebemos que aquilo que ocorre na vida é muito complexo. Muitas forças estão envolvidas – históricas, políticas, o karma individual, e assim por diante. De fato, nunca estivemos no controle. Sentir de repente que estamos fora de controle é a emoção perturbadora que eu chamo de “ingenuidade”. Muitos anos atrás eu traduzi este termo como “mente fechada”, mas isso não é realmente correto. Trata-se de ingenuidade. Podemos perceber isso quando pensamos de forma ingênua, isso nos causa sofrimento.

Qual é a solução para algo tão complexo? Não é que nós apenas trabalhamos em desenvolver mais karma positivo para que as coisas não aconteçam conosco. Em termos mais exatos, se pudermos nos livrar completamente do karma, não ficaremos mais presos em nenhuma situação difícil. Temos que trabalhar para ajudar todos a se livrarem de seu karma. É bem mais complexo do que fazer apenas uma coisa, como prender o Bin Laden e depois não haverá mais tragédias. Mesmo se os EUA mudarem sua política em relação ao Terceiro Mundo e o mundo islâmico, a vida é bem mais complexa do que apenas fazer isso.

Uma das leis do karma é que as coisas não ocorrem como resultado de apenas uma causa. O que acontece é o resultado de incontáveis causas interconectadas. Isso não significa que apenas devemos nos sentar e não fazer nada. Podemos adicionar uma gota ao balde sem exagerar ou negar o efeito de uma gota a mais no balde. Um dos ditados de Buda é que um balde não está cheio por causa da primeira ou da última gota, mas por uma combinação de todas as gotas. Podemos pensar que trabalharemos em nosso karma como uma forma de lidar com esta situação. Podemos ter compaixão pelas pessoas que morreram e suas famílias, mas não vamos enlouquecer pelo que ocorreu. Trabalharemos para ser tão positivos quanto possível. Mas cuidado com o pensamento extremo que diz que é possível comprar a felicidade e a segurança com um potencial positivo!

Uma forma de lidar com esta situação de forma positiva é ver que ela nos ajuda a nos tornar conscientes de mais um dos ensinamentos bem básicos: a morte pode ocorrer a qualquer hora. Ao invés de ficar baratinados, podemos aproveitar nossas oportunidades e não apenas desperdiçar nosso tempo, sem ir ao extremo autodestrutivo de ser um fanático. Como diz um de meus koans favoritos: “A morte pode chegar a qualquer hora. Relaxe.”

Quando pensamos no karma e em desenvolver mais força positiva, temos que evitar a ideia ingênua de que tudo apenas ficará cada vez melhor como resultado. Apenas ser positivos não nos torna imunes a desastres, como se tivéssemos esta bolha kármica invencível ao nosso redor. “Estou protegido pelo refúgio! Sou invencível! Tenho o meu cordãozinho vermelho de proteção ao redor do pescoço!” Como disse um professor: “Se você amarrar um cordãozinho vermelho de proteção ao redor do pescoço de um porco que está para ser abatido, não pense que ele será salvo por isso!” Mesmo se as pessoas no World Trade Center estivessem todas usando cordãozinhos vermelhos de proteção no pescoço, eu duvido que tivessem sobrevivido aos acidentes.

Temos que nos dar conta que, mesmo se fizermos muitas coisas positivas de uma forma apropriada, a natureza do samsara é de ter altos e baixos. Temos desenvolvido todos os tipos de potenciais kármicos sem fim. Dependendo de nossos estados mentais, das circunstâncias e assim por diante, muitas coisas podem amadurecer. Às vezes coisas bacanas ocorrem, às vezes não tão bacanas. Por isso, descobrimos que a astrologia, por exemplo, não pode nos dar todas as respostas sobre aquilo que ocorrerá.

Karma e Astrologia

Há uma grande discussão, que eu acho interessante, sobre karma e astrologia. Será que podemos prever o que ocorrerá conosco no mundo? Há astrologia em alguns dos ensinamentos de Buda, particularmente no tantra de Kalachakra. Mas um grande mestre tibetano disse que se a astrologia pudesse explicar tudo, então um ser humano e um cachorro nascidos no mesmo lugar e na mesma hora deveriam ter as mesmas personalidades e as mesmas coisas deveriam acontecer com eles em suas vidas. Podemos concluir que o karma é bem mais complexo do que aquilo que um mapa astrológico pode indicar. Há muito mais forças envolvidas que corpos celestiais, ângulos entre estes e assim por diante.

Se fôssemos examinar o mapa astrológico de todos que morreram no ataque do World Trade Center, eu penso que seria bastante difícil achar uma forma de prever o que ocorreu. Ainda que rejeitemos a visão simplista da astrologia que o que acontece conosco tem a ver como os planetas, ou com os deuses e deusas que vivem nesses planetas ou estrelas, ainda assim temos que ter cuidado em relação ao nosso entendimento sobre astrologia. A astrologia oferece um reflexo de certos temas básicos do karma, mas não do todo. Eu penso que o modelo de probabilidade matemática é mais aplicável aqui para entender astrologia. Existe certa probabilidade que este é o tipo de personalidade e acontecimentos que poderão ocorrer se alguém nascer em tal lugar e tal hora. Mas também há probabilidades que outra coisa possa vir a acontecer.

O que temos que tentar evitar é a atitude perturbadora que fica por detrás de uma mente supersticiosa, que diz que há um “eu” grande e sólido e que este “eu” precisa estar no controle daquilo que ocorre. “Se eu souber o que vai ocorrer, então terei controle e poderei me preparar.”

Esta é a mentalidade de um controlador. Olhamos para um mapa astrológico, para cartas de tarô, o I Ching ou então vamos ver um lama tibetano para receber prognósticos “mo” com dados, pensando que se soubermos o que acontecerá, teremos controle. Esta mentalidade está baseada na ingenuidade, não é verdade? É perturbadora porque ainda nos sentimos inseguros. Temos um falso sentido de segurança e, então, se as coisas não funcionarem da forma como pensamos, a nossa fé ficará abalada. Isso é tudo sofrimento.

É melhor entender este tipo de consultas como a previsão do tempo. Se há certa probabilidade de que choverá, nós levamos nosso guarda-chuvas, mas sabemos que talvez não chova. É bom ter a previsão do tempo, mas se a tomarmos literalmente, teremos grandes problemas. Pessoalmente, eu acho que a astrologia é útil, mas precisamos de uma atitude sóbria e madura em relação a ela.

O Bingo Kármico e As Quatro Nobres Verdades

Podemos ver que o karma está falando sobre o nosso comportamento e aquilo que ocorre conosco. Aqui, o comportamento é visto especificamente em termos de estar ou não apoiado por uma emoção perturbadora. Podemos entender melhor a abordagem budista do karma usando a estrutura que o próprio Buda usou para ensinar, que são as quatro nobres verdades. Sua Santidade o Dalai Lama sempre enfatiza a importância de ver quaisquer ensinamentos budistas dentro da estrutura das quatro nobres verdades. “Nobre” refere-se aos aryas, aqueles que viram a realidade de forma não conceitual. Essas verdades são o que os aryas veem como verdadeiro. As pessoas que não viram a realidade diretamente nem mesmo poderiam concebê-las. Às vezes gosto de chama-las “os quatro fatos da vida”. Elas são fatos. Elas são simplesmente a maneira como as coisas são.

O primeiro destes geralmente é traduzido como “a verdade do sofrimento”. Eu gosto de me referir a isso como “verdadeiros problemas”. Isto se refere aos sentimentos de felicidade, infelicidade ou neutralidade. Todos eles são problemáticos e amadurecem do karma. A infelicidade, a dor e o sofrimento são obviamente problemas. Mas temos também a felicidade maculada. É a felicidade que temos geralmente. Ela também é um problema. O problema é que ela não dura e não soluciona nada. Ela é legal, mas e daí? Mesmo se ficássemos de férias pelos resto de nossas vidas, ficaríamos entediados.

O terceiro aspecto é neutralidade. As coisas estão simplesmente acontecendo. Mas o problema real, mais profundo, é que não temos a mínima ideia do que virá a seguir. Este é conhecido como “o problema que a tudo afeta”. Não há absolutamente nenhuma garantia daquilo que sentiremos no próximo minuto, não é mesmo? Podemos olhar para o avião colidindo contra o prédio e pensar que isto é o que há de pior no samsara, mas não é. O pior do samsara é a constante incerteza. Uma guerra é ruim, mas o que é tão terrível é que, no samsara, a guerra sempre voltará a ocorrer de novo. E ela pode ocorrer a qualquer momento.

Temos que identificar o samsara. Esta é a situação da qual temos que sair. Não estamos apenas falando de parar a guerra e ter paz e então tudo ficará bem. Quando falamos de renúncia, temos que ficar de saco cheio e enojados com a incerteza que qualquer coisa pode ocorrer a qualquer momento. Isso é horrível. Realmente queremos sair disso.

O primeiro fato da vida então se refere aos resultados do karma: dor, resultados agradáveis que não duram, e o fenômeno de altos e baixos sem nenhuma certeza.

O segundo fato é que essas experiências vêm como resultado do karma e de emoções e atitudes perturbadoras. Se fizermos a experiência de dor e grande sofrimento, é porque agimos de forma destrutiva. Agimos de forma destrutiva porque somos influenciados pelas emoções perturbadoras – especialmente a avareza e a raiva. Somos avarentos, então roubamos. Somos raivosos, então matamos. A felicidade que não satisfaz é o resultado de agir de forma construtiva sob a influência de uma atitude perturbadora, mesclada a um pouco de ingenuidade. Nós pensamos em trabalhar duro, ser positivos, e poupar dinheiro para que possamos sair de férias, e que isso nos fará felizes. Talvez tenhamos um bom momento, mas isso não resolverá nada. Temos que voltar ao trabalho. Nós agimos com a atitude perturbadora da ingenuidade sobre as verdadeiras causas da felicidade.

Ter altos e baixos é um resultado de agir positiva ou negativamente, de maneira confusa. Por isso, a nossa experiência é mista. Temos tantos potenciais kármicos e há tantas, inúmeras circunstâncias envolvidas, que é claro que haverá altos e baixos. Para usar a imagem de um jogo de bingo no qual bolas de pingue-pongue numeradas são cuspidas de uma máquina quando apertamos um botão, é como se tivéssemos acumulado um número incontável de bolas de pingue-pongue de potenciais kármicos e não tivéssemos a mínima ideia do que virá a seguir. Mesmo se entendermos que as bolas de pingue-pongue vêm graças a leis muito complexas do karma, ainda assim trata-se de um jogo estúpido – bingo kármico! Podemos jogar indefinidamente, e nunca venceremos.

Isso nos leva à terceira verdade nobre, a verdadeira cessação do sofrimento e suas causas, que seria a libertação do jogo. Isso não seria maravilhoso? O terceiro fato diz que algo assim é possível e podemos fazê-lo. Podemos parar de jogar o bingo kármico para sempre.

A quarta nobre verdade é como conseguir os entendimentos, as realizações, e assim por diante, que eliminarão o karma, as emoções e atitudes perturbadoras, e suas tendências. O bingo kármico é um jogo muito insidioso. Cada vez que apertamos o botão para que venha outra bola, adicionamos uma nova bola ao tubo. Para sair do jogo, temos que eliminar a confusão que faz com que pensemos que temos que continuar sempre apertando o botão. Uma vez que fizermos isso, estaremos fora do jogo. Não se trata de entrar no tubo e se livrar de todas as bolas de pingue-pongue. Esta seria uma tarefa sem fim. As emoções e atitudes perturbadoras fazem com que o karma amadureça e que desenvolvamos mais karma. Por estarem enraizadas na confusão, quando eliminamos a confusão com um entendimento correto, paramos as emoções e atitudes perturbadoras.

Coloquei isso de uma forma bem simplista, mas talvez possamos começar a nos relacionar com o caminho budista, com o quarto fato, que nos permitirá alcançar o terceiro fato, que é não ser mais ingênuos e pensar que temos que seguir todo o lixo kármico que surgir em nossas mentes. Esta analogia também pode nos ajudar a desenvolver a atitude apropriada de renúncia, que é o total desgosto em relação a quão estúpido é o jogo. Nós pensamos: “Estou cansado; estou entediado; quero parar de jogar o bingo kármico; quero sair dessa!”

Vamos refletir sobre isso por um momento.