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Breve História do Budismo na India Antes das Invasões do Século XIII

Alexander Berzin
Janeiro 2002, revisado em Abril de 2007

Introdução

As expressões Hinayana (Theg-dman) e Mahayana (Theg-chen), que significam [respectivamente] “pequeno” ou modesto veículo e “grande” ou espaçoso veículo, apareceram primeiro em Os Sutras sobre a Consciência Discernente de Vasto Alcance (Sher-phyin-gyi mdo, Sânsc. Prajnaparamita Sutras; Sutras da Perfeição da Sabedoria) como uma forma de expressar a superioridade do Mahayana. Historicamente, havia dezoito escolas pré-datando o Mahayana, cada uma com sua versão ligeiramente diferente das regras de disciplina monástica (‘dul-ba, Sânsc. vinaya). Embora haja quem tenha sugerido expressões alternativas para referirem as dezoito [escolas] como um todo, iremos usar o termo geralmente mais conhecido para elas, Hinayana, mas sem qualquer intenção de conotação pejorativa.

[Ver: As Expressões Hinayana e Mahayana.]

Theravada (gNas-brtan smra-ba, Sânsc. Sthaviravada) é a única das dezoito escolas do Hinayana que atualmente existe. Floresce no Sri Lanka e no Sudeste Asiático. Quando os textos Mahayana, tibetanos e indianos, expõem as visões filosóficas das Escolas Sautrantika (mDo-sde-pa) e Vaibhashika (Bye-brag smra-ba), estas duas escolas Hinayana são divisões da Sarvastivada (Thams-cad yod-par smra-ba), outra das dezoito. As regras de disciplina monástica tibetanas vêm da Escola Mulasarvastivada (gZhi thams-cad yod-par smra-ba), outra divisão da Sarvastivada. Assim, não devemos confundir a apresentação tibetana do Hinayana com [a da] Theravada.

As tradições budistas do Leste Asiático seguem as regras de disciplina monástica da escola Dharmagupta (Chos-srung sde), outra das dezoito.

Buda Shakyamuni

O príncipe Sidarta, que se tornou no Buda Shakyamuni, viveu de 566 a 486 a.C. na parte central do norte da India. Após ter alcançado a iluminação com a idade de trinta e cinco anos, vagueou como mendicante, ensinando aos outros. Uma comunidade de buscadores espirituais celibatários depressa se reuniu em seu redor acompanhando-o enquanto ele viajava. Por fim, quando surgiu a necessidade, Buda estabeleceu regras de disciplina monástica para esta comunidade. Os “monges” reuniam-se quatro vezes por mês para recitar essas regras e purificar todas as infrações que pudessem ter ocorrido.

Cerca de vinte anos depois da sua iluminação, Buda iniciou o costume dos monges permanecerem no mesmo local, todos os anos, durante a estação das chuvas, para um retiro de três meses. A construção de mosteiros budistas desenvolveu-se a partir deste costume. Poucos anos antes de falecer, Buda introduziu também uma tradição de monjas.

[Ver: A Vida do Buda Shakyamuni.]

O Primeiro Concílio Budista

Buda ensinou no dialecto Prakrit (Tha-mal-pa) de Magadha (Yul Ma-ga-dha), mas nada foi escrito no decurso da sua vida. De fato, os ensinamentos de Buda só foram escritos pela primeira vez no ínicio do século I a.C., e eram da Escola Theravada. Foram escritos no Sri Lanka, na língua Pali. Nos séculos anteriores, os monges preservaram os ensinamentos de Buda memorizando-os e recitando-os periodicamente.

O costume de recitar de memória os ensinamentos de Buda começou uns meses depois de Buda ter falecido. Isto ocorreu no Primeiro Concílio Budista, em Rajagrha (rGyal-po’i khab, atual Rajgir), com a presença de quinhentos discípulos. Relatos tradicionais registam que todos os participantes eram arhats (dgra-bcom-pa), seres liberados.

De acordo com a versão Vaibhashika, três dos arhats recitaram os ensinamentos de memória. Se todos os outros membros da assembleia concordassem que o que estes arhats recitaram era exatamente o que o Buda tinha realmente dito, isto confirmaria a exatidão dos ensinamentos.

  • Ananda (Kun-dga' – bo) recitou os sutras (mdo) – os discursos acerca dos vários temas da prática.
  • Upali (Nye-bar ‘khor) recitou o vinaya – as regras de disciplina monástica.
  • Mahakashyapa (‘Od-bsrung chen-po) recitou o abhidharma (chos mngon-pa), acerca dos tópicos especiais de conhecimento.

Estas três divisões dos ensinamentos de Buda formaram As Três Coleções tipo-Cestos (sDe-snod gsum, Sânsc. Tripitaka, Três Cestos).

  • O Cesto do Vinaya continha os ensinamentos sobre a suprema auto-disciplina ética;
  • O Cesto dos Sutra, sobre a suprema concentração absorta;
  • O Cesto do Abhidharma, os ensinamentos sobre a suprema consciência discernente ou a suprema “sabedoria”.

O relato Vaibhashika inclui a questão de que nem todos os ensinamentos de Buda sobre o abhidharma foram recitados neste Primeiro Concílio. Alguns foram transmitidos oralmente fora da jurisdição do Concílio tendo sido adicionados posteriormente.

De acordo com a versão Sautrantika, os ensinamentos do abhidharma recitados no Concílio não eram, de modo nenhum, as palavras de Buda. Os sete textos do abhidharma incluídos neste cesto foram na verdade compostos por sete dos arhats.

O Segundo Concílio Budista e a Fundação da Escola Mahasanghika

Em 386 ou 376 a.C. ocorreu o Segundo Concílio Budista em Vaishali (Yangs-pa-can), com uma assembleia de setecentos monges. O propósito do Concílio era resolver dez questões acerca da disciplina monástica. A principal decisão acordada foi a de que não era permitido aos monges aceitarem ouro. Na prática, isto significa que os monges não têm permissão de lidar com dinheiro. O Concílio recitou então O Cesto de Vinaya para reconfirmar a sua pureza.

De acordo com o relato Theravada, a primeira divisão da comunidade monástica ocorreu neste Concílio. Os monges ofendidos sairam para formar a Escola Mahasanghika (dGe-‘dun phal-chen-po), enquanto que os idosos que permaneceram tornaram-se conhecidos como a Escola Theravada. “Theravada” significa, em Pali, “seguidores das palavras dos anciãos”. “ Mahasanghika” significa “a comunidade da maioria”.

De acordo com outros relatos, a verdadeira divisão aconteceu mais tarde, em 349 a.C. O ponto de disputa não era sobre questões de disciplina monástica, mas antes sobre visões filosóficas. A divergência foi sobre a questão dos arhats – seres liberados – serem ou não limitados.

  • Os anciãos Theravada concordaram que os arhats são limitados no seu conhecimento. Por exemplo, ao viajarem, podiam não saber as direções e podiam receber informações dos outros sobre tais coisas. No entanto, sabiam tudo sobre matérias do Dharma. Os arhats podiam até ter dúvidas sobre as suas próprias realizações, embora não recaíssem. Contudo, insistiu Theravada que os arhats são completamente livres de emoções perturbadoras, tais como o desejo.
  • O grupo Mahasanghika, ou o “grupo da maioria”, não concordou com a questão das emoções perturbadoras. Afirmou que os arhats podiam ainda ser seduzidos em sonhos e ter emissões noturnas, porque os arhats tinham ainda um traço de desejo sexual.Assim, Mahasanghika fez uma distinção clara entre um arhat e um Buda.

Os seguidores da escola Theravada tendiam para a parte ocidental do norte da India. Os seguidores da Mahasanghika tendiam para a parte oriental do norte da India e depois espalharam-se até Andhra, na parte oriental do sul da India. Foi lá, em Andhra, que mais tarde Mahayana emergiu. Os eruditos ocidentais vêem Mahasanghika como o precursor de Mahayana.

O Terceiro Concílio Budista e a Fundação das Escolas Sarvastivada e Dharmagupta

Em 322 a.C., Chandragupta Maurya fundou o Império Maurya, na região central do norte da India, que tinha sido conhecida como Magadha, a terra onde nasceu o budismo. O império cresceu rapidamente, alcançando sua maior extensão entre 268 e 232 a.C. sob o regime do Imperador Ashoka (Mya-ngan med-pa). Durante o seu tempo, o Império Maurya se estendia do atual Afeganistão Oriental e de Baluchistan a Assam, e cobria a maior parte do sul da India.

Durante o reinado do imperador Ashoka, em 237 a.C., a Escola Sarvastivada também se separou da Theravada, devido a certas questões filosóficas. Segundo a Escola Theravada, o momento desta separação foi o Terceiro Concílio, conduzido sob patrocínio imperial na capital de Maurya, Pataliputra – atual Patna. No entanto, datam este concílio como tendo ocorrido em 257 a.C., vinte anos mais cedo do que o registro da separação segundo Sarvastivada. Isto porque, de acordo com Theravada, foi só depois deste concílio ter reafirmado a pureza da visão Theravada que o imperador Ashoka enviou no ano seguinte missões para introduzir o budismo nas novas regiões do seu império e mais além. Mediante estas missões, o budismo Theravada foi introduzido no atual Paquistão (Gandhara e Sindh), no atual sudeste do Afeganistão (Bactria), Gujarat, a parte ocidental do sul da India, Sri Lanka e Burma. Após a morte do imperador Ashoka, o seu filho Jaloka introduziu Sarvastivada na Caxemira. Daí, espalhou-se por fim ao atual Afeganistão.

Pondo de lado a data em que ocorreu o concílio, a sua principal tarefa era analisar os ensinamentos de Buda e refutar o que os ortodoxos anciãos Theravada consideravam como visões incorretas. Moggaliputta Tissa, o monge-líder do concílio, compilou estas refutações analíticas em Motivos de Controvérsia (Pali Kathavatthu), que se tornou o quinto dos sete textos do Cesto do Abhidhamma Theravada.

Outras tradições Hinayana não relatam este concílio do mesmo modo que Theravada. Em qualquer caso, um dos principais pontos filosóficos sobre o qual a separação ocorreu era a existência de fenómenos passados, presentes e futuros.

  • Sarvastivada afirmava que tudo existe – as coisas que já não estão acontecendo, as coisas que estão acontecendo atualmente e as coisas que ainda não aconteceram. Isto porque são eternos os átomos de que as coisas são feitas; apenas mudam as formas que eles tomam. Assim, as formas que tomam os átomos podem se transformar de coisas que ainda não estão acontecendo em coisas que estão acontecendo agora e, depois, em coisas que já não estão acontecendo. Mas os átomos que constituem cada uma destas coisas são os mesmos eternos átomos .
  • Não só Theravada, mas também Mahasanghika, afirmavam que só existem as coisas que estão acontecendo agora, e aquelas coisas que já não estão acontecendo mas que ainda não produziram os seus resultados. Estas últimas existem porque ainda podem executar uma função.
  • Entretanto, Sarvastivada concordava com Mahasanghika que os arhats têm limitações quanto a traços de emoções perturbadoras.

Em 190 a.C., a Escola Dharmagupta também se separou da Theravada.

  • Dharmagupta concordava com Theravada que os arhats não têm emoções perturbadoras.
  • Contudo, tal como Mahasanghika, Dharmagupta tendia a elevar Buda. Afirmava que é mais importante fazer oferendas a Budas do que a monásticos, e em especial enfatizava as oferendas a estupas – monumentos contendo relíquias de Budas.
  • Dharmagupta adicionou uma quarta coleção tipo-cesto, o Cesto de Dharani. “Dharanis” (gzungs), significando em sânscrito“poder de retenção” e “medidas vitais” na tradução tibetana, são fórmulas sânscritas devocionais que, quando cantadas, ajudam o praticante a reter as palavras e o significado do Dharma, por forma a conservar os fenómenos construtivos e a eliminar os destrutivos. Este desenvolvimento dos dharanis seguia em paralelo o espírito devocional da época, marcado pelo aparecimento do clássico hindu, Bhagavad Gita.

A Escola Dharmagupta estendeu-se ao atual Paquistão, Afeganistão, Irão, Ásia Central, e até à China. Os chineses adotaram a versão Dharmagupta quanto aos votos de monges e monjas. Com o decorrer dos séculos, esta versão de regras de disciplina monástica foi transmitida à Coreia, ao Japão e ao Vietname.

O Quarto Concílio Budista

As Escolas Theravada e Sarvastivada conduziram, cada uma delas, o seu próprio quarto concílio.

A Escola Theravada conduziu o seu quarto concílio em 29 a.C., no Sri Lanka, sob o patrocínio do rei Vattagamani. Face aos vários grupos que se tinham afastado da Theravada devido a diferenças de interpretação das palavras de Buda, Maharakkhita e quinhentos anciãos da Theravada reuniram-se para recitar e escrever as palavras de Buda a fim de preservar a sua autenticidade. Esta foi a primeira vez que os ensinamentos de Buda passaram a escrito e, neste caso, foram transcritos na língua Pali. Esta versão das Três Coleções tipo-Cestos, Tipitaka, é geralmente conhecida como o Cânone Pali. As outras escolas Hinayana, entretanto, continuaram a transmitir os ensinamentos oralmente.

Dentro da Escola Sarvastivada, surgiram gradualmente várias diferenças de interpretação dos ensinamentos. A primeira a surgir foi o antecessor da Escola Vaibhashika. Depois, por volta do ano 50 d.C., desenvolveu-se a Sautrantika. Cada uma tinha as suas próprias asserções acerca de muitas questões sobre o abhidharma.

Entretanto, a situação política no norte da India, em Caxemira e no Afeganistão estava em vias de uma grande mudança, com a invasão dos Yuezhi (Wade-Giles: Yüeh-chih), da Ásia Central. Os Yuezhi eram um povo indo-europeu vivendo originalmente no Turquistão Oriental. Conquistando uma vasta área para oeste e depois para o sul, no fim do século II a.C., estabeleceram por fim a Dinastia Kushan, que durou até 226 d.C. No seu apogeu, o Império Kushan estendia-se desde o atual Tadjiquistão, Usbequistão, Afeganistão e Paquistão, através de Caxemira e do noroeste da India, até à parte central do norte da India e à India Central. Ligando a Rota da Seda com os portos de mar na foz do rio Indo, esta dinastia levou o budismo ao contacto com muitas influências estrangeiras. Também através deste contacto, o budismo chegou à China.

O mais famoso dos regentes de Kushan foi o rei Kanishka que, de acordo com algumas fontes, governou de 78 a 102 d.C. e, segundo outras, de 127 a 147 d.C. Em qualquer caso, a Escola Sarvastivada conduziu o seu quarto concílio durante o seu reinado, na sua cidade-capital de Purushapura (atual Peshawar) ou em Srinagar, Caxemira. O concílio rejeitou o abhidharma Sautrantika e sistematizou o seu próprio abhidharma em O Grande Comentário (Sânsc. Mahavibhasha). O concílio também supervisionou a tradução de Prakrit para Sânscrito da versão Sarvastivada das Três Coleções tipo-Cestos, e a escrita destes textos em sânscrito.

Entre os séculos IV e V d.C., a Escola Mulasarvastivada afastou-se da predominante Sarvastivada Vaibhashika em Caxemira. No final do século VIII d.C., os tibetanos adotaram a sua versão das regras de disciplina monástica. Nos séculos posteriores, espalhou-se do Tibete para a Mongólia e para as regiões mongóis e algumas túrquicas da Rússia.

Ramos da Escola Mahasanghika

Entretanto, a Escola Mahasanghika, situada principalmente no sul da India Oriental, ramificou-se em cinco escolas. Todas concordavam que os arhats são limitados e que os Budas são supremos, e cada uma delas desenvolveu esta asserção abrindo caminho para o Mahayana. Acerca das três escolas principais:

  • A Escola Lokottaravada (‘Jig-rten ‘das-par smra-ba) postulava Buda como um ser transcendental, cujo corpo está para além dos perecíveis deste mundo. Este postulado formou a base da explanação Mahayana dos Três Corpuses (Três Corpos) de um Buda. A Escola Lokottaravada espalhou-se para o Afeganistão onde, entre os séculos III e V d.C., os seus seguidores construíram os colossais Budas de Bamiyan, refletindo a sua visão de Budas transcendentais.
  • A Escola Bahushrutiya (Mang-du thos-pa) postulava Buda como tendo dado ensinamentos tanto mundanos como além deste mundo. Isto conduziu à divisão Mahayana entre o Corpus de Emanações (sprul-sku, Sânsc. nirmanakaya) e o Corpus de Pleno Uso (longs-sku, Sânsc. sambhogakaya) de um Buda.
  • A Escola Chaitika saiu da Bahushrutiya e postulava que Buda já era iluminado antes de ter aparecido neste mundo e estava apenas demonstrando a sua iluminação a fim de mostrar aos outros o caminho. Este postulado também foi aceite mais tarde por Mahayana.

O Surgimento do Mahayana

Os sutras Mahayana apareceram pela primeira vez entre o século I a.C. e o século IV d.C., em Andhra, no sul da India Oriental, área em que Mahasanghika estava florescendo. Segundo as tradicionais narrativas budistas, estes sutras tinham sido ensinados por Buda, mas tinham sido transmitidos oralmente e mais em privado do que as obras Hinayana tinham sido. Alguns até tinham sido protegidos em reinos não-humanos.

Os sutras Mahayana mais importantes que abertamente apareceram naquela época foram:

  • Durante os primeiros dois séculos, os Sutras sobre a Consciência Discernente de Vasto Alcance (Sânsc. Prajnaparamita Sutras) e o Sutra Instruindo sobre Vimalakirti (Dri-ma med-pa grags-par bstan-pa’i mdo, Sânsc. Vimalakirti-nirdesha Sutra). O primeiro diz respeito à vacuidade (vazio) de todos os fenómenos; enquanto que o último descreve o bodhisattva leigo.
  • Por volta de 100 d.C., o Sutra da Glória da Bem-Aventurada TerraPura), (bDe-ba-can-gyi bkod-pa’i mdo, Sânsc. Sukhavati-vyuha Sutra), introduz Sukhavati, a Terra Pura de Amitabha, o Buda da Luz Infinita.
  • Cerca de 200 d.C., o Sutra Lotus do Sagrado Dharma (Dam-pa’i chos padma dkar-po’i mdo, Sânsc. Saddharmapundarika Sutra), enfatiza a capacidade que todos têm de se tornarem Budas e, deste modo, de todos os veículos de ensinamentos de Buda se encaixarem como meios hábeis. A sua apresentação é muito devocional.

    Dentro do Mahayana, as Escolas Madhyamaka (dBu-ma) e Chittamatra (Sems-tsam-pa) também apareceram primeiramente em Andhra, no sul da India.
  • A Escola Madhyamaka, vinda de Nagarjuna, que viveu em Andhra entre 150 e 250 d.C., explica os Sutras Prajnaparamita. De acordo com narrativas tradicionais, Nagarjuna recuperou estes sutras do fundo do mar, onde os nagas os tinham protegido desde a altura em que Buda os tinha ensinado no Pico dos Abutres (Bya-rgod phung-pa’i ri, Sânsc. Grdhrakuta), perto de Rajagrha, no centro do norte da India. “Nagas” são seres meio-humanos meio-serpentes que vivem debaixo da terra e debaixo de corpos de água.
  • A Escola Chittamatra baseou-se no Sutra da Descida a Lanka (Lan-kar gshegs-pa’i mdo, Sânsc. Lankavatara Sutra). Embora este sutra tivesse primeiro aparecido em Andhra, os ensinamentos Chittamatra foram desenvolvidos ainda mais por Asanga, que viveu durante a primeira metade do século IV d.C., em Gandhara, no atual Paquistão Central. Asanga recebeu estes ensinamentos através de uma visão do Buda Maitreya.

O Desenvolvimento das Universidades Monásticas e do Tantra

No início do século II d.C., Nalanda, a primeira universidade monástica budista, foi construída perto de Rajagrha. Nagarjuna ensinou ali, assim como muitos mestres Mahayana subsequentes. No entanto, estas universidades monásticas floresceram especialmente com a fundação da Dinastia Gupta, no início do século IV d.C. O seu curriculum enfatizava o estudo dos sistemas de asserções filosóficas e os monges participavam em debates rigorosos com os proponentes das seis escolas hindus e jainistas que se desenvolveram entre os séculos III e VI d.C.
O tantra também emergiu entre os séculos III e VI d.C., com o primeiro aparecendo uma vez mais em Andhra, no sul da India. Este foi o Tantra Guhyasamaja (dPal gSang-ba ‘dus-pa’i rgyud). Nagarjuna escreveu vários comentários. De acordo com a tradição budista, os tantras também tinham sido transmitidos oralmente desde a época em que Buda os ensinou, mas de um modo ainda mais privado do que tinham sido os ensinamentos dos sutras do Mahayana.

Rapidamente o tantra se espalhou para o norte. De meados do século VIII a meados do século IX d.C., floresceu especialmente em Oddiyana (U-rgyan), atual Swat Valley no noroeste do Paquistão. O ultimo tantra a aparecer foi o Tantra de Kalachakra (dPal Dus-kyi ‘khor-lo’i rgyud), em meados do século X d.C.

As monásticas universidades budistas alcançaram o seu apogeu no decurso da dinastia Pala (750 – finais do século XII d.C.), no norte da India. Muitas outras, tais como Vikramashila, foram construídas com patrocínio real. O estudo do tantra foi introduzido em algumas destas universidades monásticas, especialmente a Nalanda. Mas o estudo e a prática do tantra floresceram fora dos mosteiros, especialmente com a tradição dos oitenta e quatro mahasiddhas (grub-thob chen-po), entre os séculos VIII e XII d.C. “Mahasiddhas” são praticantes de tantra extremamente realizados.