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Votos Secundários do Bodhisattva

Alexander Berzin
Agosto de 1997

Introdução

Os votos secundários do bodhisattva são de abstenção das quarenta e seis ações erradas (nyes-byas). Estas ações erradas estão divididas em sete grupos, cada um deles prejudiciais ao nosso treinamento nas seis atitudes de vasto alcance (pha-rol-tu phyin-pa, Sânsc. paramita, perfeições) e ao nosso beneficiar os outros.

As seis atitudes de vasto alcance são:

  1. generosidade;
  2. autodisciplina ética;
  3. tolerância paciente (paciência);
  4. perseverança alegre (entusiasmo positivo);
  5. estabilidade mental (concentração);
  6. consciência discriminativa (sabedoria).

Embora as ações erradas sejam contrárias ao nosso progresso à iluminação e o dificultem, cometê-las, mesmo com os quatro fatores que amarram (kun-dkris bzhi) completos, não constitui uma perda dos nossos votos de bodhisattva. No entanto, quanto menos completos esses fatores estiverem, menos danos ocorrerão ao nosso desenvolvimento espiritual ao longo do caminho bodhisattva. Na eventualidade de cometermos algumas destas ações erradas, reconhecemos nosso erro e aplicamos os poderes oponentes, como no exemplo dos votos raiz do bodhisattva.

[Para mais pormenores sobre os quatro fatores que amarram e os poderes oponentes, veja: Os Votos Raiz do Bodhisattva.]

Há muitos pormenores a aprender sobre esses quarenta e seis, com muitas exceções quando não há falha em cometê-las. Em geral, porém, o grau de dano ao desenvolvimento das nossas atitudes de vasto alcance e ao benefício que podemos dar aos outros depende da motivação por trás dos nossos atos errados. Se essa motivação for um estado mental perturbado, tal como o apego, a raiva, a malícia ou o orgulho, o dano é muito maior do que se for um estado não perturbado – embora prejudicial – como a indiferença, a preguiça ou o esquecimento. Com a indiferença, falta-nos a fé ou o respeito adequado pelo treinamento que precisamos seguir. . Com preguiça, ignoramos a nossa prática porque achamos mais agradável e mais fácil não fazer nada. Quando nos falta a plena atenção , esquecemo-nos completamente do nosso compromisso de ajudar os outros. Para muitos dos quarenta e seis, não há falta se tivermos a intenção de eliminá-los do nosso comportamento, embora no momento asnossas emoções e atitudes perturbadoras ainda estejam fortes demais para que um auto-controle total seja exercitado.

Aqui, a apresentação que se segue foi dada por Tsongkhapa, o mestre Gelug do século XV em Uma Explanação da Disciplina Ética dos Bodhisattvas: O Principal Caminho à Iluminação (Byang-chub sems-dpa'i tshul-khrims-kyi rnam-bshad byang-chub gzhung-lam).

Sete Ações Erradas Prejudiciais ao Treino da Generosidade de Vasto Alcance

A generosidade (sbyin-pa, Sânsc. dana) é definida como a atitude que está dispostas a dar. Inclui estar-se disposto a dar objetos materiais, proteção de situações temíveis, e ensinamentos.

Das sete ações erradas que afetam de uma forma negativa o desenvolvimento da nossa generosidade, duas são prejudiciais à nossa vontade de dar objetos materiais aos outros, duas à nossa vontade de dar aos outros proteção de situações temíveis, duas envolvem não fornecer circunstâncias para que os outros cultivem e pratiquem a generosidade, e uma prejudica o desenvolvimento da nossa generosidade de dar ensinamentos.

Duas Ações Erradas Prejudiciais ao Desenvolvimento da Vontade de Dar Objetos Materiais aos Outros

(1) Não fazer oferendas à Jóia Tripla através dos três portões do nosso corpo, fala e mente

de mau humor, por exemplo,estarmos irritados , ou por causa da preguiça, indiferença ou do simples esquecimento, não oferecemos aos Budas, Dharma e Sangha, três vezes cada dia e três vezes cada noite, pelo menos prostrações com os nossos corpos, palavras de elogio com a nossa fala, e memória das suas boas qualidades com as nossas mentes e corações. Se não pudermos pelo menos ser suficientemente generosos para oferecer isto com alegria cada dia e noite às Três Jóias de Refúgio, como poderemos vir um dia a aperfeiçoar a nossa vontade de dar tudo a todos?

(2) Seguir nossas mentes de desejo

Por causa de um forte desejo, apego ou falta de contentamento, deleitar em alguns dos cinco tipos de objetos sensoriais desejáveis – vistas, sons, fragrâncias, sabores ou sensações táteis. Por exemplo, por causa do apego a deliciosos sabores, comemos o bolo que está no refrigerador mesmo quando não estamos com fome. Isto é prejudicial à nossa luta contra a avareza. Depressa nos encontramos buscando o bolo, e até o escondemos no fundo da prateleira para não termos de partilhá-lo com alguém. Se realmente pretendermos superar este mau hábito, mas ainda não somos capazesdecontrolá-lo porque o nosso apego à comida é muito forte, não estamos em falha ao buscar uma fatia de bolo. Não obstante, tentariamos aumentar o nosso autocontrole buscando fatias menores e não tão frequentemente.

Duas Ações Erradas Prejudiciais ao Desenvolvimento da Vontade de Dar aos Outros Proteção de Situações Temíveis

(3) Não mostrar respeito aos que são mais velhos

Os objetos desta ação incluem nossos pais, professores, aqueles com excelentes qualidades e, em geral, qualquer pessoa com senioridade ou simplesmente mais velha do que nós. Quando não lhes cedemos nossos assentos no ônibus, não lhes esperamos no aeroporto, não lhes ajudamos a carregar as suas malas, e assim por diante, por causa do orgulho, raiva, malevolência, preguiça, indiferença ou esquecimento, deixamos-lhes numa situação assustadora, preocupadora e difícil.

(4) Não responder àqueles que nos fazem perguntas

Por causa do orgulho, raiva, malevolência, preguiça, indiferença ou esquecimento, não responder de boa vontade às sinceras perguntas dos outros. Igonorando-os desta maneira, os deixamos num dilema sem terem ninguém a quem se voltar – uma posição também assustadora e insegura.

Como ilustração do tipo de pormenor encontrado no comentário de Tsongkhapa a estes votos, vamos examinar as exceções em que não há falha em permanecermos silenciosos ou em adiarmos a nossa resposta. Em termos de nós próprios como a base para esta ação, não precisamos responder se estivermos muito doentes ou se a pessoa que nos fizer a pergunta nos acordar propositadamente no meio da noite. A não ser que seja uma emergência, não há falha em dizermos à pessoa para esperar até nos sentirmos melhor ou até de manhã.

Há exceções de acordo com a ocasião, por exemplo, quando alguém nos interrompe com uma pergunta quando estamos ensinando os outros, dando uma aula, conduzindo uma ceremónia, oferecendo palavras de conforto a outra pessoa, recebendo uma lição ou escutando um discurso. Dizemos-lhes educadamente para fazerem as suas perguntas mais tarde.

Certas situações, por necessidade, requerem o silêncio ou o adiamento da resposta. Por exemplo, se respondêssemos detalhadamente a uma pergunta sobre os infernos durante uma palestra pública no ocidente sobre o budismo, arriscaríamos afastar muitas pessoas, causando obstáculos à sua participação no Dharma. O silêncio é preferível se, ao respondermos à uma pergunta racista sobre a nossa origem étnica , fizéssemos com que essa pessoa não gostasse mais de nós e, assim, não fosse receptiva à nossa ajuda. O silêncio também é melhor se fizer com que os outros parem de agir destrutivamente e os conduzir a uma modalidade mais construtiva de comportamento – por exemplo, quando pessoas que estão psicologicamente dependentes de nós nos pedem conselhossobre cada problema nas suas vidas, enquanto queremos ensiná-las a tomar suas próprias decisões e a resolver os seus próprios problemas.

Além disso, se estivermos num retiro de meditação em que haja uma regra de silêncio e alguém nos fizer uma pergunta, não há necessidade de falar. Finalmente, é melhor concluir e fechar uma sessão de perguntas e respostas no fim de uma aula quando a audiência já está cansada e for muito tarde, para evitar ressentimentos e raiva contra nós. .

Duas Ações Erradas de Não Proporcionar as Circunstâncias para os Outros Cultivarem e Praticarem a Generosidade

(5) Não aceitar um convite

Se recusarmos fazer uma visita, ou um convite para uma refeição, por causa do orgulho, raiva, malevolência, preguiça, indiferença ou esquecimento, privamos a outra pessoa de uma oportunidade para acumular força positiva (bsod-nams, Sânsc. punya, potencial positivo, mérito) de oferecer hospitalidade. A não ser que tenhamos boas razões para declinar, nós aceitamos não importa quão humilde a casa possa ser.

(6) Não aceitar presentes

Pelas mesmas razões que no caso anterior.

Uma Ação Errada Prejudicial ao Desenvolvimento da Generosidade de Dar Ensinamentos

(7) Não dar o Dharma àqueles que desejam aprender

Aqui a motivação para recusar a ensinar sobre o budismo, emprestar nossos livros de Dharma , partilhar nossos apontamentos, e assim por diante, é a raiva, a malevolência, o ciúme que a outra pessoa nos irá eventualmente exceder, a preguiça ou a indiferença. No caso do segundo voto-raiz do bodhisattva, nós declinamos por causa do apego e da avareza.

Nove Ações Erradas Prejudiciais ao Treino da Auto-Disciplina Ética de Vasto Alcance

Autodisciplina ética (tshul-khrims, Sânsc. shila) é a atitude de abster das ações negativas. Inclui também a disciplina de engajar em ações positivas e ajudar os outros.

Das nove ações erradas que dificultam o desenvolvimento da nossa autodisciplina ética, quatro dizem respeito a situações em que a nossa consideração principal são os outros, três referem-se à nossa própria situação, e dois concernem ambos nós e os outros.

Quatro Ações Erradas que Concernem Situações em que a Nossa Consideração Principal São os Outros

(1) Ignorar aqueles que não mantiveram a ética

Se, por causa da raiva, malevolência, preguiça, indiferença ou esquecimento ignorarmos, negligenciarmos ou rebaixarmos aqueles que quebraram os seus votos ou que até mesmo cometeram crimes abomináveis, enfraquecemos a nossa autodisciplina ética de engajar em atos positivos e ajudar os outros. Essas pessoas têm uma necessidade especial do nosso interesse e atenção visto que acumularam as causas para sofrimentos e infelicidade presente e futura. Tentamos ajudar-lhes, sem indignação moral, por exemplo, ensinando meditação aos prisioneiros interessados na cadeia.

(2) Não manter o treino moral por causa da fé dos outros

Buda proibiu muitas ações que, embora não naturalmente destrutivas, são prejudiciais ao nosso progresso espiritual – proibiu por exemplo as pessoas leigas e monásticas de beberem álcool, ou os monásticos de partilharem o mesmo quarto com um membro do sexo oposto. A abstenção de tal comportamento é um treino compartilhado em comum pelos praticantes Hinayana e bodhisattvas. . Se, como bodhisattvas principiantes, ignorarmos estas proibições devido à falta de respeito ou de crença nos ensinamentos de Buda, ou devido à preguica de exercitar o autocontrole , fazemos com que os que virem o nosso comportamento percam a fé e a admiração pelos budistas e pelo budismo. Consequentemente, prestando atenção na impressão que nossa conduta causa aos outros, refreamo-nos, por exemplo, de tomar drogas recreacionais.

(3) Não se importar com o bem-estar dos outros

Buda deu muitas regras menores para os monásticos treinarem seu comportamento, por exemplo ter sempre os os três conjuntos de vestes/mantos onde dormem. Às vezes, porém, as necessidades dos outros cancelam a necessidade de se seguir este treino menor, por exemplo, se alguém ficar doente e precisarmos passar a noite fora cuidando da pessoa. Se, devido à raiva ou malevolência em relação à pessoa, ou simplesmente à preguiça de não querer ficar acordado toda a noite, recusamos dizendo que não temos nossos três conjuntos de vestes conosco, cometeremos esta ação errada. Ser fanático rígidos com relação às regras dificulta o desenvolvimento equilibrado da nossa autodisciplina ética.

(4) Não cometer uma ação destrutiva quando o amor e a compaixão chamam por isso

Ocasionalmente, surjem certas situações extremas em que o bem-estar dos outros é seriamente posto em perigo e não há mais alternativa para impedir uma tragédia a não ser cometer uma das sete ações físicas ou verbais destrutivas. Estas sete são tirar a vida, tomar o que não nos seja dado, deleitar no comportamento sexual impróprio, mentir, falar divisivamente, usar uma linguagem áspera e cruel, ou tagarelar sem sentido. . Se cometermos essa ação sem termos naquele momento nenhuma emoção perturbadora, como a raiva, o desejo ou a ingenuidade sobre a causa e o efeito, mas motivados somente pelo desejo de impedir que os outros sofram – estando totalmente dispostos a aceitar quaisquer consequências negativas que possam vir, mesmo uma dor infernal – não danificamos a nossa autodisciplina ética de vasto alcance. De fato, acumulamos uma quantidade tremenda de força positiva que acelera o nosso caminho espiritual.

Porém, recusar cometer estas ações destrutivas quando a necessidade o demanda seria uma falha somente se tivéssemos tomado e guardamos agora com pureza os votos do bodhisattva. A nossa reticência de trocar nossa própria felicidade pelo bem-estar dos outros dificulta a perfeição da nossa autodisciplina ética de sempre ajudar os outros. Não há falha se nossa compaixão é superficial e não estamos guardando os votos do bodhisattva nem treinando na conduta por eles delineada. Compreendemos que a nossa compaixão é fraca e instável, assim que o sofrimento que experienciaríamos das nossas ações destrutivas poderia facilmente gerar ressentimento à conduta de bodhisattva. Poderíamos até abandonar o caminho que trabalha para o benefício dos outros. Como a injunção que os bodhisattvas dos estágios mais baixos de desenvolvimento apenas se prejudicam a si mesmos e às suas capacidades de ajudarem os outros se empreenderem as práticas dos bodhisattvas dos estágios mais elevados – tal como alimentar uma esfomeada tigresa com a carne do seu próprio corpo - é melhor termos cautela. .

Como pode haver confusão sobre que circunstâncias chamam o bodhisattva a tal ação, vamos examinar exemplos tirados da literatura dos comentários. Estejam cientes que essas são ações de último recurso quando, na tentativa de aliviar ou impedir que os outros sofram, todos os outros meios falharam. Como bodhisattvas principiantes, estariamos dispostos a tirar a vida de alguém que está para cometer um massacre. com relação a medicamentos destinados aos esforços de alívio num país destroçado pela guerra, não hesitariamos em confisca-losde alguém que os tirou para vender no mercado negro. Também não hesitariamos em remover os fundos de uma organização de caridade das mãos de um administrador corrupto, . Como homens, estariamos dispostos a ter sexo com a esposa de outro - ou com uma mulher solteira cujos pais o proíbem, ou com qualquer outra parceira imprópria – se ela deseja desenvolver a bodhichitta mas está apaixonada e quer fazer sexo conosco. Em tal situação, se ela morresse sem ter tido sexo conosco, carregaria o ressentimento como um instinto para vidas futuras, e, como resultado, seria extremamente hostil aos bodhisattvas e ao caminho do bodhisattva.

O fato de os bodhisattvas estarem dispostos a engajar em comportamentos impróprios quando todo o resto não ajuda a impedir que alguém desenvolva uma atitude extremamente negativa em relação ao caminho espiritual do altruismo, levanta uma questão importante a ser considerada por casais no caminho do bodhisattva. Às vezes um casal torna-se envolvido no Dharma e um deles, por exemplo, a mulher, desejando ser celibatária, deixa de ter relações sexuais com o seu marido quando ele não é da mesma opinião. Ele ainda tem apego ao sexo e leva a sua decisão como uma rejeção pessoal. Às vezes o fanaticismo e a falta de sensibilidade da esposa leva o seu marido a culpar o Dharma pela sua frustração e infelicidade. Ele deixa o casamento e vira as costas ao budismo com um amargo ressentimento. Se não houver outra maneira de evitar a sua reação hostil ao caminho espiritual e a mulher estiver a manter os votos de bodhisattva, ela faria bem em avaliar a sua compaixão para determinar se é suficientemente forte para lhe permitir ter ocasionalmente sexo com seu marido sem prejudicar seriamente a sua capacidade de ajudar os outros. Isto é muito relevante em termos dos votos tântricos a respeito do comportamento casto.

Como bodhisattvas em desenvolvimento, estariamos dispostos a mentir quando isso salva a vida de outros ou impede que outros sejam torturados e feridos. Não teriamos hesitação em falar divisivamente para separar os nossos filhos de um grupo errado de amigos – ou discípulos de professores enganosos – que estão exercendo influências negativas neles e incentivando atitudes e comportamentos prejudiciais. Não nos refreamos de falar de um modo áspero para afastar os nossos filhos de caminhos negativos, como não fazerem os seus deveres, quando não ouvem a razão. E quando outros, interessados no budismo, estiverem totalmente viciados na conversa sem propósito, bebida, festas, cantar e dançar, ou contar piadas pesadas ou histórias de violência, estariamos dispostos a juntar-nos a eles se a nossa recusa fizer com que essas pessoas sintam que os bodhisattvas, e os budistas em geral, nunca se divertem e que o caminho espiritual não é para elas.

Três Ações Defeituosas A Respeito Da Nossa Própria Situação

(5) Ganhar a nossa vida através de ações errados

Tais meios de subsistência são desonestos ou fraudulentos, principalmente de cinco tipos principais: (a) pretensão ou hipocrisia, (b) lisonja ou usar palavras polidas para enganar os outros, (c) chantagem, extorsão ou manipulação da culpa das pessoas, (d) exijir subornos ou multas severas por ofensas imaginárias, e (e) dar subornos para obter algo maior de retorno. Recorremos a tais meios ao não ter nenhum sentido de autodignidade ou de pudor.

(6) Ficar empolgados e correr atrás de alguma atividade frívola

Ao sentirmo-nos descontentes, agitados, aborrecidos ou hiperativos, e desejosos de algum excitamento, correr atrás de alguma distração frívola – como passear num centro comercial, percorrer as estações da televisão, jogar jogos de computador e assim por diante. Ficamos totalmente imersos e fora de controle. Se, por outro lado, engajarmos nessas atividades para acalmarmos a raiva de outras pessoas ou aliviar a sua depressão, para lhes ajudar se estiverem viciados nessas coisas, para ganhar a sua confiança se suspeitarmos que são hostis para conosco, ou para fortalecer velhas amizades, não prejudicamos o nosso treino de disciplina ética a agir positivamente e para ajudar os outros. Contudo, se nos voltamos para essas atividades sentindo que não temos nada de melhor para fazer, estamo-nos iludindo. Há sempre algo melhor a fazer. Às vezes, porém, nós precisamos de uma pausa para ajudar a renovar o nosso entusiasmo e energia quando ficamos cansados ou deprimidos. Não há nenhuma falha nisso, desde que estabeleçamos limites razoáveis.

(7) Querer continuar vagueando no samsara

Muitos sutras explicam que os bodhisattvas preferem ficar no samsara a obter a liberação . É um erro interpretar isto literalmente, pensando que não precisamos trabalhar para superar as nossas emoções e atitudes perturbadoras e alcançar a liberação, mas que apenas mantemos as nossas delusões e trabalhamos com elas para ajudar os outros. Aqui, há uma diferença entre este e o décimo oitavo voto raiz do bodhisattva – de abandonar a bodhichitta – em que decidimos deixar completamente de trabalhar para a liberação e a iluminação. Aqui, apenas consideramos sem importância e desnecessário livrarmo-nos das emoções perturbadoras, o que enfraquece seriamente a nossa autodisciplina ética. Embora no caminho do bodhisattva, especialmente quando este envolve o anuttarayoga tantra, transformamos e usamos as energias do desejo para realçar o nosso progresso espiritual, mas isto não significa que damos corda livre aos nossos desejos, e nem de não trabalhar para nos livrar deles.

Duas Ações Erradas a Respeito de Nós Mesmos e dos Outros

(8) Não nos livrar de comportamentos que nos fazem cair em má reputa ção

Suponhamos que gostamos de comer carne. Se estivermos entre budistas vegetarianos e insistirmos em comer um bife, estaremos atraindo criticismos e desrespeito. Não levarão as nossas palavras sobre o Dharma a sério e espalharão estórias sobre nós, fazendo que também os outros não fiquem receptivos à nossa ajuda. Como bodhisattvas em desenvolvimento, seria um grande erro não livrarmo-nos deste tipo de comportamento.

(9) Não corrigir aqueles que atuam sob o poder das emoções e atitudes perturbadoras

Se tivermos uma posição de autoridade num escritório, escola, mosteiro ou em casa e, por causa do apego a certas pessoas ou ao desejo de que gostem de nós, não repreendemos ou punimos aqueles que, com emoções e atitudes perturbadoras estão agindo desenfreadamente, prejudicaremos a disciplina e a moral do grupo inteiro.

Quatro Ações Erradas Prejudiciais ao Treino da Tolerância Paciente de Vasto Alcance

A tolerância paciente (bzod-pa, Sânsc. kshanti) é o vontade de lidarmos, sem raiva, com aqueles que fazem mal, com as dificuldades envolvidas na prática do Dharma e com os nossos próprios sofrimentos.

(1) Rejeitar os quatro treinamentos positivos

Estes treinamentos são: não retaliar quando (a) verbalmente abusado ou criticado, (b) ser feito o alvo da raiva dos outros, (c) levar uma surra , ou (d) humilhado. Como o treino de não retaliar nestas quatro situações atua como causa para o crescimento da nossa paciência, se pusermos isto de lado danificaremos o nosso desenvolvimento desta qualidade positivo.

(2) Ignorar aqueles que estão irritados conosco

Se outras pessoas estiverem irritadas conosco ou guardando um forte ressentimento, se não fizermos nada sobre isso e não tentarmos acalmar a sua raiva, devido ao orgulho, malevolência, preguiça, indiferença , dificultaremos o aperfeiçoamento da nossa paciência ao permitir que o seu oposto, ou seja, a raiva, continue em toda a sua intensidade. Para evitar esta falha, pedimos desculpa, quer tenhamos ou não ofendido ou feito algo de errado.

(3) Recusar a aceitar as desculpas dos outros

A terceira queda raiz do bodhisattva é não escutar as desculpas dos outros quando nos pedem perdão no momento em que estamos zangados com eles. Aqui, nós não aceitamos os seus pedidos de desculpa depois da ocasião, porque estamos guardando um forte ressentimento.

(4) Continuar com raiva

Quando ficamos irritados em qualquer situação, iremos contra o desenvolvimento da nossa tolerância paciente ao remoer nisso, guardando um forte ressentimento, sem aplicar as forças oponentes para acabar com isso. . Se, porem, ao aplicar essas forças, tais como a meditação no amor, para com os objetos da nossa irritação, mas não obtivermos sucesso, não estaremos em falha. Como estamos pelo menos tentando, não enfraquecemos o cultivo da nossa paciência.

Três Ações Erradas Prejudiciais ao Treino da Perseverança Alegre de Vasto Alcance

Perseverança alegre (brtson-grus, Sânsc. virya, entusiasmo positivo) é ter alegria em fazer o que é construtivo.

(1) Reunir um círculo de seguidores devido ao desejo de venera ção e respeito

Quando reunimos um círculo de amigos, admiradores ou alunos, ou decidimos casar ou viver com alguém, se o nosso motivo for o desejo de que o outro nos mostre respeito, dê-nos amor, afeição e muitos presentes, sirva-nos, massageie as nossas costas, e faça as nossas tarefas diárias, perderemos o entusiasmo para fazer qualquer coisa de positivo, tal como ajudar os outros. Somos atraídos a um modo inferior de agir, isto é, , dizer aos outros o que fazer para nós.

(2) Não fazer nada devido à pregui ç a e outras coisas mais

Se cedermos à preguiça, indiferença, apatia, sentimentos de não nos apetecer fazer nada ou de não estarmos interessados em absolutamente nada, ou ao vício de dormir longas horas, ficando na cama o dia inteiro, dormindo à tarde, ou relaxando sem fazer nada, ficaremos viciados e perderemos todo o entusiasmo para ajudar os outros. É claro que descansamos quando estamos doentes ou exaustos, mas é um grande erro estragarmo-nos sendo demasiado moles.

(3) Passar o tempo com histórias, devido ao apego

O terceiro obstáculo que dificulta o crescimento do entusiasmo para ajudar os outros é desperdiçar tempo de uma forma despropositada. Isto se refere a falar sobre, , ouvir, ler, ver na televisão ou em filmes, ou surfar a internet para histórias sobre sexo, violência, celebridades, intrigas políticas, e assim por diante.

Três Ações Erradas Prejudiciais ao Treino da Estabilidade Mental de Vasto Alcance

A estabilidade mental (bsam-gtan, Sânsc. dhyana, concentração) é o estado da mente que não perde o seu equilíbrio ou foco devido às emoções perturbadoras, fugacidade ou torpor mental.

(1) Não procurar os meios para obter a concentração absorta

Se, devido ao orgulho, malevolência, preguiça ou indiferença não formos a ensinamentos de algum mestre sobre a concentração absorta (ting-nge-'dzin, Sânsc. samadhi) , como poderemos vir a cultivar ou melhorar a estabilidade da nossa mente? Se estivermos doentes, ou se suspeitarmos que as instruções estejam incorretas, ou já tivermos alcançado uma concentração perfeita, então, já não precisamos ir.

(2) Não nos livrarmos dos obstáculos que impedem a estabilidade mental

Ao praticar a meditação para obter a concentração absorta, encontramos cinco obstáculos principais. Se cedermos a eles e não os tentarmos eliminar, danificaremos o desenvolvimento da nossa estabilidade mental. Se tentarmos removê-los mas não somos ainda capazes de fazê-lo, não estaremos em falha. Os cinco obstáculos são: (a) intenções de ir atrás de quaisquer dos cinco tipos de objetos sensoriais desejáveis, (b) pensamentos de malevolência, (c) nevoeiro mental e sonolência, (d) fugacidade da mente e arrependimentos, e (e) indecisão ou dúvidas.

(3) Ver o sabor do êxtase, que é um resultado da estabilidade mental, como sua vantagem principal

Normalmente, gastamos uma quantidade enorme das nossas energias no nervosismo, preocupação, indecisão, pensamentos de desejos insatisfeitos ou ressentimentos e outras coisas do gênero, , ou então caímos no torpor e na sonolência. Ao nos concentrarmos e absorvermos as nossas mentes mais e mais a fundo , libertaremos quantidades cada vez maiores desta energia. Experienciamos isto como um sentimento de êxtase físico e mental. Quanto mais forte esse êxtase, tanto mais nos puxa para a absorção. Por esta razão, no anuttarayoga tantra geramos e usamos estados mentais extasiantes ainda mais intensos do que aqueles obtidos meramente através da perfeita concentração, a fim de alcançarmos a atividade mental de luz clara mais sutil e absorvê-la na compreensão da vacuidade. Se ficarmos apegados ao gosto do êxtase que obtemos em qualquer estágio do desenvolvimento da estabilidade mental, quer em conjunção com a prática do tantra ou não, e se considerarmos a apreciação do prazer que obtemos desse êxtase como o objetivo principal da nossa prática, prejudicamos seriamente o desenvolvimento da nossa estabilidade mental de vasto alcance.

Oito Ações Erradas Prejudiciais ao Treino da Consciência Discernente de Vasto Alcance

A consciência discernente (shes-rab, Sânsc. prajna, sabedoria) é o fator mental que que sabe definitivamente discernir entre o que é correto e incorreto, adequado ou inadequado, útil e prejudicial, e assim por diante.

(1) Abandonar o veículo do shravaka (ouvinte)

A sexta queda raiz do bodhisattva é afirmar que os ensinamentos textuais do veículo do shravaka não são as palavras de Buda, enquanto que a décima quarta é dizer que as instruções neles são ineficazes para a eliminação do apego e assim por diante. A décima terceira é dizer aos bodhisattvas guardando votos pratimoksha (liberação individual) monásticos ou leigos – parte dos ensinamentos do veículo do shravaka – que não há necessidade para eles, sendo bodhisattvas, protegerem estes votos. Para que esta queda raiz esteja completa, os bodhisattvas ouvindo as nossas palavras têm de realmente abandonar os votos pratimoksha. Aqui, a ação errada é simplesmente pensar ou dizer a outros que os bodhisattvas não precisam escutar os ensinamentos do veículo do shravaka - especificamente a respeito das regras de disciplina dos votos pratimoksha – ou guardá-los ou treinar-se neles. Na verdade, ninguém precisa abandonar os seus votos.

Ao estudar e ao manter as regras de disciplina que prometemos guardar, aumentamos a nossa capacidade de discernir entre os tipos de comportamento que devem ser adotados ou abandonados. Ao negar a necessidade de treinar com votos pratimoksha, enfraquecemos o desenvolvimento da nossa consciência discernente. Também destamos discernindo, incorretamente, que os ensinamentos shravaka são essenciais somente para os shravakas, e não têm valor para os bodhisattvas.

(2) Exercer esforço tendo simultaneamente os nossos próprios métodos

Se exercermos todos os nossos esforços meramente em estudar e guardar nossos votos pratimoksha à negligência do estudo e do treino dos vastos ensinamentos bodhisattva a respeito da compaixão e da sabedoria, nós também enfraqueceremos a nossa consciência discernente. Enquanto exercemos esforço nos ensinamentos do veículo shravaka, também devemos trabalhar simultaneamente no veículo bodhisattva.

(3) Exercer esforço no estudo de textos não budistas quando isso não dever ser feito

De acordo com os comentários, os textos não budistas referem-se a obras sobre lógica e gramática. Podemos sem dúvida incluir aqui também livros para aprender línguas estrangeiras ou qualquer tópico do curriculum educacional moderno, tal como a matemática, a ciência, a psicologia ou a filosofia. A falha aqui estaria em colocar todos os nossos esforços no estudo destes assuntos e negligenciar nossos estudos e práticas do Mahayana, de modo que eventualmente acabamos por esquecer-nos de tudo sobre eles. Se, porém, formos extremamente inteligentes, capazes de aprender coisas rapidamente, tivermos uma compreensão sadia e estável dos ensinamentos do Mahayana com base na lógica e no raciocínio, e formos capazes de reter esses ensinamentos nas nossas memórias por muito tempo, não haverá falha em estudar textosnão budistas se também mantivermos, a cada dia, os nossos estudos e prática do Mahayana.

Estudantes não tibetanos de budismo que desejam estudar a língua tibetana fariam bem em manter presente esta recomendação. Se forem capazes de aprender línguas rápida e facilmente, já tiverem uma forte fundação no budismo, e bastante tempo para estudar tanto as línguas como o Dharma, ganhariam muito benefício de aprender o tibetano. Podem usá-lo como uma ferramenta para estudos mais aprofundados. Contudo, se acharem a língua difícil, tiverem limites no tempo e energia disponíveis, e ainda não tiverem uma boa compreensão do budismo ou uma prática diária de meditação estável, prejudicariam e dificultariam o seu desenvolvimento espiritual estudando tibetano. É importante discernir as nossas prioridades.

(4) Mesmo se capaz de exercer esforço nelas, ficarmos gamados

Se tivermos a capacidade de estudar material não budista, tal como a língua tibetana, com todas as estipulações acima , se nos apaixonarmos por esse tópico podemos chegar a abandonar a nossa prática espiritual e concentrarmo-nos totalmente nesse tópico menos vital. Dominar o tibetano ou a matemática não nos traz a liberação das nossas emoções e atitudes perturbadoras, nem dos problemas e sofrimento que elas engendram. Não nos dá a capacidade de ajudar os outros de maneira completa. Somente o aperfeiçoamento da bodhichitta e das atitudes de vasto alcance, especialmente da consciência discernente da vacuidade, pode conduzir-nos a este objetivo. Consequentemente, para nos protegermos contra a fascinação pelos tópicos não budistas – cujo aprendizajo certamente pode ser útil , mas não é a coisa principal em que focar – estudamo-los a serio, mantendo uma perspectiva apropriada. Desta maneira, nós discernimos corretamente o que é essencial e salvaguardamo-nos de ser levados por matérias menos importantes.

(5) Abandonar o veículo Mahayana

A sexta queda raiz é afirmar que os textos Mahayana não são as palavras de Buda. Aqui, aceitamos que em geral eles são autênticos, mas criticamos certos aspectos , especificamente os textos sobre as ações inacreditavelmente extensas dos bodhisattvas e os ensinamentos inconcebivelmente profundos sobre a vacuidade. Os primeiros incluem relatos de Budas multiplicando-se em formas incontáveis, ajudando simultaneamente inúmeros seres em uma miríade de mundos, enquanto que os últimos incluem coleções de versos breves e concisos, e extremamente difíceis de compreender. Degeneramos a nossa consciência discernente ao repudiá-los em qualquer uma destas quatro maneiras, pensando: que (a) o seu conteúdo é inferior – o que dizem é absolutamente absurdo, (b) a sua forma de expressão é inferior – estão mal escritos e não fazem sentido, (c) o seu autor é inferior – não são as palavras de um Buda iluminado, ou que (d) o seu uso é inferior – não são de benefício a ninguém. Discernindo falsamente deste modo, com a mente fechada e impetuosa, danificamos a nossa capacidade de discernir as coisas de maneira correta.

Quando confrontados com ensinamentos ou textos que não compreendemos, nós permanecemos abertos. Pensamos que embora agora não os possamos apreciar ou compreender, os Budas e os bodhisattvas altamente realizados compreendem as suas palavras e, através do entendimento do seu significado, beneficiam os outros de maneiras infinitas. Desta forma, desenvolvemos a firme resolução (mos-pa) de tentar compreendê-los no futuro. Não há falha se não tivermos esta firme resolução, desde que não rebaixemos e não difamamos os ensinamentos. Pelo menos mantemos a equanimidade, reconhecendo que por agora, não os compreendemos.

(6) Elogiarmo-nos a nós mesmos e/ou rebaixarmos os outros

A primeira queda raiz do bodhisattva é fazer isto motivado pelo desejo de ganho ou pelo ciúme. Aqui a motivação é o orgulho, o amor-próprio, a arrogância ou a raiva. Tais motivações surgem quando nos achamos, falsamente, como sendo melhores do que os outros.

(7) Não seguir pelo interesse do Dharma

A segunda queda-raiz do bodhisattva é não dar o Dharma por causa do apego e da avareza. Aqui, a falha é não ir ensinar, executar rituais budistas, atender ceremónias budistas, ou escutar discursos devido ao orgulho, raiva, malevolência, preguiça ou indiferença. Com essa motivação, não discernimos corretamente o que é de valor. Não há falha, porém, se não o fizermos porque sentimos que não somos um professor, ou porque estamos demasiado doentes, ou porque suspeitamos que os ensinamentos que ouviríamos ou daríamos estariam incorretos, ou porque sabemos que a audiência já os ouviu repetidamente e já os sabe, ou já os recebemos por completo e os compreendemos e dominamos completamente de modo que já não precisamos de escutá-los, ou já focalizamos nos ensinamentos e por isso não precisamos ser lembrados deles, ou que são difíceis demais e apenas ficaríamos confusos ao escuta-los. E mais, se os nossos professores ficassem ofendidos se nós fossemos – por exemplo, se ele ou ela nos tivesse dito para fazer qualquer outra coisa – certamente não iríamos.

(8) Julgar um professor pela sua línguagem e ridicularizá-lo por causa disto Enfraquecemos nossas capacidades de discernir corretamente quando julgamos professores espirituais pela sua maneira de falar. Geralmente, ridicularizamos e rejeitamos os que falam com uma forte pronúncia, cometendo erros gramaticais, embora o que eles expliquem esteja correto, e corremos atrás daqueles que falam elegantemente, mas sem sentido nenhum.

Doze Ações Erradas Que Contradizem o Trabalho para Beneficiar os Outros

(1) Não ajudar aqueles que precisam de ajuda

Por causa da raiva, malevolência, preguiça ou indiferença, não irmos ao auxílio de qualquer dos oito tipos de pessoas que precisam de ajuda: (a) para tomar uma decisão sobre algo positivo, por exemplo, numa reunião, (b) ao viajar, (c) para aprenderem uma língua estrangeira que nós já sabemos, (d) para desempenhar alguma tarefa de maneira ética, (e) para proteger uma casa, templo ou suas posses, (f) para acabar com um conflito ou com um argumento, (g) na comemoração de uma ocasião especial, como um casamento, ou (h) para fazer algum trabalho de caridade. Porém, não ir ajudar não prejudicará nossos esforços de ajudar os outros se estivermos doentes, já tivermos prometido auxílio noutro lugar, enviarmos outra pessoa que é capaz de fazer o trabalho, se estivermos engajados numa tarefa positiva que é mais urgente, ou se formos incapazes de ajudar. Também não haverá falha se a tarefa for prejudicial aos outros, oposta ao Dharma ou disparatada, ou se as pessoas pedindo-nos ajuda forem capazes de encontrar auxílio noutro lugar ou tiverem alguém de confiança para encontrar-lhes ajuda.

(2) Negligenciar servir os doentes

Por causa da raiva, malevolência, preguiça ou indiferença.

(3) Não aliviar o sofrimento

Também por causa das mesmas razões. Sete tipos de pessoas afligidas por dificuldades requerem cuidado especial: (a) os cegos, (b) os surdos, (c) os amputados e aleijados, (d) viajantes cansados, (e) aqueles sofrendo de alguns dos cinco obstáculos que impedem a estabilidade mental, (f) aqueles com inimizades e fortes preconceitos, e (g) aqueles que caíram de suas posições de algum status elevado.

(4) Não tentar ensinar os que atuam de modo irresponsavel de acordo com o seus caráteres Pessoas irresponsáveis (bag-med) refere-se àquelas que não se importam com as leis de causa e efeito comportamental e, consequentemente, cujo comportamento lhes trará infelicidade e problemas nesta e em futuras vidas. Não poderemos ajudar essas pessoas se estivermos moralisticamente indignados e formos condenatórios. Para entrar em contacto com elas, precisamos ser hábeis e modificar nossa abordagem para ir de encontro às suas situações específicas. Por exemplo, se o nosso vizinho for um fervoroso caçador, nós não vamos dar-lhe um sermão extremista dizendo que irá arder no inferno. A pessoa provavelmente nunca teria mais nada a ver conosco. Em vez disso, tornamo-nos amigos do nosso vizinho dizendo-lhe que amável serviço ele fornece fazendo a carne de caça disponível aos seus familiares e amigos. Quando ele já estiver receptivo ao nosso conselho, poderemos aos poucos sugerir melhores maneiras de relaxar e de fazer os outros felizes – sem tirar vidas.

(5) Não retribuir a ajuda recebida

Não querer retribuir aos outros a ajuda que eles nos deram, ou não nos lembrarmos de retribuir ou nem sequer pensarmos nisso. Não haverá falha, porém, se ao tentarmos fazê-lo. por ejemplo, ao estarem consertando os seus carros, nos faltar o conhecimento e a habilidade, ou se estivermos demasiado fracos. Além disso, se aqueles que nos ajudaram não desejam nada de retorno, não os forçaremos a aceitar a nossa oferta de ajuda.

(6) Não aliviar a dor mental dos outros

Por causa da malevolência, preguiça ou indiferença, se não tentarmos confortar aqueles que perderam uma pessoa amada, dinheiro ou posses estimadas, estaremos em falha. Aqueles que estão perturbados ou deprimidos requerem a nossa afeição, simpatia e compreensão sincera – mas certamente não a piedade.

(7) Não dar àqueles que precisam de caridade

Por causa da raiva, da malevolência, preguiça ou indiferença. Se por causa da avareza, seria uma queda raiz.

(8) Não cuidar das necessidades do nossos entes mais próximos

É uma grande falha negligenciar, devido à malevolência, preguiça ou indiferença, o nosso círculo de familiares, amigos, colegas de trabalho, empregados, discípulos, e assim por diante, especialmente quando já estamos engajados no trabalho social ajudando os outros. Nós precisamos prover para as suas necessidades físicas e cuidar do seu bem-estar espiritual. Como poderiamos fingir ajudar todos os seres sencientes se ignorarmos as necessidades daqueles mais perto de nós?

(9) Não agir de acordo com as preferências dos outros

Desde que o que os outros querem que façamos ou o que eles gostem não seja prejudicial a ninguém, é uma falha não concordar. Todos nós fazemos as coisas de modos diferentes e temos gostos individuais. Esta falha ocorre se não honrarmos isto, por causa da malevolência, preguiça ou indiferença, ou se discutimos sobre coisas triviais como onde comer, ou se somos insensitivos às suas preferências e causamos o seu desconforto ou ressentimento ao escolher a comida.

(10) Não falar elogiar os talentos ou as boas qualidades dos outros

Se não elogiarmos os outros quando eles fizeram algo bem ou concordarmos com qualquer outra pessoa que os louva, por causa da raiva, malevolência, preguiça ou indiferença, enfraquecemos o nosso interesse e entusiasmo de que eles continuem a crescer. Se os outros ficarem acanhados ao serem elogiados, em privado ou em público, ou se ficassem orgulhosos ou vaidosos se elogiados diretamente, controlamos as nossas palavras.

(11) Não reprimir de acordo com as circunstâncias

Para ajudar os outros, é importante discipliná-los se estiverem agindo de maneira traquina. Se não o fizermos, porque ficamos embaraçados com isso, ou preguiça , indiferença, ou não nos importarmos, danificaremos a nossa capacidade de sermos guias eficazes.

(12) Não usar poderes extrafísicos ou a magia (se já tivermos tais abilidades)

Certas situações chamam por métodos especiais para ajudar os outros, tais como usar poderes extrafísicos (rdzu-'phrul). Se tivermos estes meios, mas não os usarmos quando eles seriam adequados e eficazes, danificamos a nossa capacidade de ser de ajuda. Devemos usar quaisquer talentos, habilidades e poderes que tivermos para beneficiar os outros.