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Arquivos sobre Budismo do Dr. Alexander Berzin

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Introdução para “Integrando os Vários Aspectos da Vida”

Alexander Berzin
Moscou, Russia, Outubro de 2012
Traduzido para o português por Daniel Ribas Tandeitnik

Seção Dois: Perguntas e Exercícios

Revisão

Gostaria de continuar nesta noite a nossa discussão sobre o exercício de integrar os vários aspectos da nossa vida. Ontem à noite, discutimos um pouco a base teórica do programa, e vimos que uma das maneiras de apresentar esta base teórica é em termos da base para se rotular o eu.

Por toda nossa vida pensamos em nós mesmos em termos de mim, minha vida – “agora estou fazendo isto,” “agora estou experienciando aquilo.” E todo mundo concordaria que vivemos a nossa vida inteira. Não é como se tivéssemos simplesmente vivido o ano passado; vivemos toda a extensão da nossa vida. Nós a experienciamos, não? Portanto, experienciamos muitas coisas durante toda nossa vida. Ademais, não somos uma bolha rígida e sólida que não consegue ser afetada por nada. Fomos influenciados por tudo que experienciamos durante nossa vida. Assim sendo, se quisermos ter uma visão realista sobre nós mesmos, teríamos que pensar sobre todas as experiências que tivemos na nossa vida, com todas as influencias que nos afetaram e todas as várias pessoas, sociedade e tantas coisas diferentes. Tudo isto seria uma base para pensarmos em nós mesmos, no eu. Se somente considerarmos a nós mesmos em termos de uma pequena porção da nossa vida, então acaba sendo bastante irreal, não é? Quero dizer, não vai ser algo preciso. E se, de alguma forma os diferentes períodos da nossa vida não são colocados juntos, então é quase que – se usarmos a palavra em um senso bastante solto – esquizofrênico. Então, a ideia aqui é tentar integrar todos os vários aspectos da nossa vida que experienciamos numa visão holística.

Isto foi um pouco do que discutimos ontem em termos da base teórica. Também vimos que tivemos influencias negativas; tivemos influencias positivas. Mesmo que seja importante não negar as influencias negativas, não há nenhum grande benefício em ficar obcecado e ficar reclamando delas, apesar de ser muito importante reconhece-las. O que será muito mais benéfico é enfatizar as coisas positivas que recebemos, as influencias positivas na nossa vida. Agora, tudo isto pode ser apresentado sem mencionar a palavra budismo nenhuma vez, e isto cai nas categorias, que eu estava explicando ontem, da filosofia e da ciência budista. Na realidade, se estamos apresentando este tipo de treinamento para outras pessoas, pode ser que elas se desanimem se falarmos algo sobre budismo, portanto não é nem um pouco necessário.

Ganhando Inspiração dos Outros

Há um outro aspecto nisto da base teórica, que é o fato de que todo mundo precisa de alguma forma de inspiração. Nós temos várias qualidades boas – todo mundo tem algumas boas qualidades – que podem ser talentos naturais que temos, ou então pode ser que eles foram reforçados ou ensinados para nós por outras pessoas, e precisamos de inspiração para nos encorajar e inspirar a desenvolver ainda mais essas qualidades boas. Então, o que fazemos neste tipo de treinamento é pensar nos vários aspectos e influencias de toda nossa vida e colocamos nfase, como eu estava explicando antes, nas qualidades positivas dos outros, do nosso ambiente, da nossa sociedade, da nossa cultura, etc.

Vamos usar nossas mães como exemplo. Há, incontestavelmente, certas qualidades boas das nossas mães que nós mesmos seguimos. Bem, de um ponto de vista, precisamos então descobrir quais elas são e reconhece-las. Todavia, pode ser que haja outras qualidades boas dela que tiveram efeitos não tão óbvios na gente. Porém, tendo ou não realmente diretamente nos afetado, também podem ser bastante inspiradoras. Por exemplo, (dependendo da nossa idade) pode ser que nossos pais tenham vivido por tempos complicados; por exemplo, durante a Grande Guerra – A Segunda Grande Guerra Mundial – ou os períodos difíceis da história que se sucederam neste país após ela. Pode ser que não experienciamos pessoalmente estas dificuldades; mesmo assim, é muito inspirador ver como eles lidaram com elas. Isto é algo que pode nos inspirar também a sermos capazes de lidar com situações difíceis da mesma maneira que eles lidaram.

Portanto, quando trabalhamos com todas essas categorias que tiveram influencia na gente, não pensamos somente nas qualidades positivas que ganhamos, mas também aquelas que talvez não foram tão diretamente transmitidas. De uma certa maneira, isto é algo que nos ajudou a construir nossa autoconfiança. Nos ajudou a construir uma atitude positiva para com nós mesmos. Se você tem uma autoestima muito baixa, então lembrar todas essas coisas positivas que recebemos dos outros começará a te fazer pensar que “talvez não sou tão ruim assim. Se eu fosse realmente ruim, por que eu receberia todas essas coisas positivas?”

Se sentirmos que temos sim qualidades positivas e nossa inspiração por elas crescer mais mais, então também poderemos sentir que temos algo a oferecer aos outros em termos de compartilhar essas qualidades positivas. Isto também constrói nossa autoconfiança porque, na realidade, está misturado com compaixão, que é ajudar os outros a superar suas deficiências e dificuldades com origem no sentimento de fazê-lo voluntariamente, pois “tenho sim qualidades boas, e é algo que eu posso compartilhar com os outros.” Portanto, se temos algo que podemos oferecer e compartilhar com as outras pessoas, então “não pode ser que eu seja tão terrível assim.”

Isto é um pouco mais da base teórica. E, de novo, você pode ver que não é necessário mencionar a palavra budismo em momento algum. Se tivermos uma história com o budismo e estamos nos perguntando da onde que este último pequeno pedaço – não tão pequeno – de onde este último pedaço vem, ele vem da maneira na qual nos relacionamos com o professor espiritual.

A maneira na qual nos relacionamos com um professor espiritual, em termos da nossa atitude, é descobrir e enfatizar as qualidades boas que o professor realmente tem e considerá-las com um senso de confiança de que elas são realmente verdadeiras; não é como se as tivéssemos inventando ou projetando. Então, tomando isto como base, você fica com um grande respeito pelo professor. Depois, se pensarmos no carinho do professor em termos de nos ajudar, nos ensinar, então desenvolvemos um forte senso de apreciação e gratidão. Tentamos desenvolver as qualidades boas, que o professor tem, em nós mesmos através da inspiração que conseguimos pelo exemplo dele.

Portanto, aqui estamos apenas usando esta relação com todos com os quais já interagimos. Tentamos ver quais são as suas qualidades boas e tentamos nos sentir confiantes sobre elas – não estamos projetando-as – e, tomando isto como base, desenvolvemos respeito por eles. Ademais, apreciamos as coisas positivas que eles nos ensinaram, que eles compartilharam com a gente, e que eles nos deram com um grande senso de gratidão. Imaginamos que fomos inspirados por eles, como expliquei. Podemos fazer isto na forma gráfica de uma luz amarela que emana deles, se temos uma fotografia deles na nossa frente ou os imaginamos. Isto faz com que pareça mais real, num sentido; ou mais gráfico, se você for visualizar. Depois tente imaginar compartilhando essas qualidades com os outros.

OK. Antes de começarmos e tentarmos um dos exercícios, talvez vocês ainda tenham algumas perguntas.

Perguntas e Respostas

Participante: Referindo ao que discutimos também ontem, você mencionou que a ciência e filosofia budista podem ser beneficamente estudadas mesmo fora do contexto da prática budista. Por exemplo, a lógica budista pode ser benéfica em questões legais ou para as pessoas do meio jurídico que lidam com coisas de cunho legal.

Podemos nos referir à lógica tradicional que estamos usando [i.e. lógica ocidental] com o seguinte exemplo. Por exemplo, alguém encontra uma pessoa morta e chama a polícia, pedindo para eles virem buscar o corpo. A polícia pergunta, “por que você está ligando para nós? Por que não ligou para chamar uma ambulância, por exemplo?” E a pessoa responde, “bem, há uma faca enfiada nas costas da pessoa.” Então o policial diz, “sim, tem lógica.” Então eles vêm e começam a investigação e tentam achar potenciais suspeitos. Eles acham um suspeito e, por exemplo, começam a interrogar ele, ou ela, e a dizer, “bem, você provavelmente é o assassino.” E a pessoa responde, “não. Eu tenho um álibi. Você pode ligar para as pessoas com quem eu estava na hora do homicídio e elas vão confirmar que sou inocente,” e assim por diante. Aí a polícia responde, “sim, tem lógica novamente.”

Este seria um exemplo da lógica usual que usamos nos nossos afazeres diários. Você poderia nos dar um exemplo da lógica budista?

Alex: É difícil imediatamente pensar num exemplo diferente que eu possa usar. Infelizmente, o exemplo que me vem à cabeça é um exemplo um pouco complexo que eu estava hoje trabalhando para um artigo que estava escrevendo. Já que ele está fresco na minha mente, e é um uso claro da lógica budista, então vou usá-lo. Quero dizer, esta é obviamente a resposta da lógica-budista: o cara está morto, então por que chamar uma ambulância? Não há porque levá-lo para o hospital, se é para isso que a ambulância será usada. Quero dizer, isto é somente senso comum.

Em todo caso, estive escrevendo um artigo sobre um ponto muito difícil dos ensinamentos Kalachakra, e ele tem a ver com os hologramas mentais que surgem quando pensamos em algo, ou quando imaginamos algo ou quando lembramos de algo. Certo? Você tem uma imagem mental. Então, o que forma essa imagem mental? Estive analisando se algo que é chamado de “ventos de carma” (las-rlung) compõe ou não a imagem mental (o holograma mental, como eu chamo). Os parâmetros que estive examinando aqui são formas que não são feitas de partículas, e formas que só podem ser conhecidas pela consciência mental. Portanto, a lógica budista falaria: encontre as interseções lógicas entre estas duas categorias.

Participante: Quando você fala interseções, quer dizer o que as divide?

Alex: Não. As interseções seriam da teoria dos conjuntos. É baseada na teoria dos conjuntos. As quatro possibilidades são que: é um mas não o outro, o outro mas não o primeiro, os dois ao mesmo tempo, ou nenhuma das duas categorias. É basicamente a teoria dos conjuntos – conjunto A e conjunto B, as quatro possibilidades.

Então você para e começa a pensar se existem tipos de formas que não são feitas de partículas e não podem... Bem, não quero me adentrar nisto – seria até muito difícil de traduzir – mas vocês entenderam a ideia. Estamos analisando estes quatro conjuntos. Então, o problema é que, alguns destes conjuntos são conjuntos nulos (não há nada que caia dentro dessas categorias). Uma das categorias era de algo feito por partículas que só podem ser percebidas pela mente, e não me pareceu haver algo que caia neste conjunto, então não havia uma solução para isto. Então você pensa “bem, se eu mudar os parâmetros, terá uma solução? Ao invés de pensarmos numa forma feita de partículas brutas, que tal numa forma feita de partículas sutis ou energia (como a energia eletromagnética da luz)?” Então você vê se existe algo que caia nesta categoria.

Portanto, este é o tipo de análise lógica ao qual estou me referindo para poder analisar o problema. Me desculpem por não ter conseguido pensar num exemplo mais simples, mas este é um que eu estava de fato usando hoje. Muito, muito útil como uma ferramenta analítica. É basicamente a teoria dos conjuntos e interseções. Lembre-se, este é somente um dos aspectos da lógica budista. Existem muitos, muitos outros em termos de silogismos: você declara um silogismo, e então você tenta ver se há alguma exceção nele. Se, há alguma exceção, então você não pode provar seu silogismo. E, para ver se existem exceções, você usa a teoria dos conjuntos.

Desculpe-me pelo desvio no assunto. Gosto destes tipos de coisas.

Participante: O que você aconselharia aos psicologistas trabalhando com pessoas, trabalhando com clientes, e tentando usar o seu método? Você estava nos falando ontem sobre a ciência budista, a psicologia budista, que é basicamente como o nosso “eu” existe e como ele funciona, e você nos deu um tipo de interpretação filosófica sobre isto. Portanto, se você está trabalhando como um clínico terapeuta individual, com pacientes vindo à você, teria você que necessariamente introduzi-los à base da filosofia e ciência – neste caso, base budista – que você está usando antes de trabalhar com eles usando toda a série de eventos e fatores de influencia que você mencionou ontem? Ou não é necessário introduzi-los nesta base? E se estivermos falando sobre a base toda, todo o conjunto da nossa experiência que você mencionou ontem, é necessário usar todo este conjunto e usá-lo para trabalhar com o paciente, ou podemos simplesmente nos focar num problema particular que o paciente está tentando resolver?

Alex: Como falei no começo desta palestra e enfatizei, não é necessário mencionar a palavra budismo em momento algum quando este sistema é apresentado. Na realidade, pode ser que isto desanime às pessoas. Agora, se você apresentar um resumo da teoria para a pessoa, sem entrar em grandes detalhes antes de começar a trabalhar com ela, a vantagem disto é que ajudará o paciente a desenvolver um pouco mais de confiança de que você sabe do que está fazendo e que tem uma programação real. Lembre-se, eu não tenho experiência pessoal nisto. Não sou um terapeuta. Porém, se você simplesmente fazer com que o paciente sente e você fala “bem, comece a falar sobre sua vida,” depois de um tempo eles sentem que o que estão fazendo é tão desestruturado, que não vai levar à lugar algum (você sabe, qual o ponto de tudo isto?). Portanto, se há uma ideia clara de qual é a estratégia que você usará, acredito que isto dará ao paciente um pouco mais de segurança.

E também em termos de lidar com um problema específico, então esta é uma aplicação diferente. O que estamos tentando fazer aqui é, basicamente, desconstruir a visão sólida que você tem da sua vida. Um dos aspectos que eu mencionei ontem foi ficar preso a um evento da sua vida, identificando-se com ele e não mais pensar no contexto maior da sua vida inteira, por exemplo: o relacionamento que você tem com alguém acaba, e você pensa que nunca mais achará outro parceiro na sua vida. Onde, se você pensa na duração completa da sua vida, as chances são que você irá encontrar outra pessoa, e você provavelmente teve outras namoradas ou namorados anteriormente na sua vida. Você está tirando as coisas do contexto. Portanto, é importante que vejamos as coisas no contexto maior. Todavia, para lidarmos com um problema específico, de novo você pode usar este método para tentar ver o contexto maior do problema:

Um relacionamento seu acaba, pode ser que você pense “bem, é tudo minha culpa. Eu sou o culpado. Sou um perdedor. Pobre de mim.” Porém, você tem que perceber que tudo que acontece é influenciado por um número enorme de outros fatores. Há os fatores de todo o resto que está acontecendo na vida da outra pessoa, toda a constituição psicológica dela, e outras coisas que estão acontecendo na sua vida que também estão afetando o relacionamento – seu trabalho, sua família, etc., a economia. Por isso, se você olhar para o contexto maior, então você não simplesmente isola “foi minha culpa e sou a única causa, pois sou uma pessoa ruim, não sirvo para nada. Não mereço ser amado” – que isto então tenha sido a razão do rompimento.

Aqui está um bom – agora posso voltar novamente à sua pergunta – uso mais prático da análise lógica budista. Quais são as interseções entre os dois conjuntos de meu amigo não me liga e meu amigo não me ama?

  • Pode ser que meu amigo me ligue e ele(a) me ama.
  • Ou meu amigo me liga e ele(a) não me ama.
  • Ou pode ser que meu amigo não me liga e não me ama.
  • Ou meu amigo não me liga, mas assim mesmo me ama.

Então, se o meu amigo não me ligou, há a possibilidade que ele ainda me ama. Então examino porque meu amigo não me ligaria. Pode ter sido por outras razões além dele não me amar. Pode ser porque ele está ocupado. Pode ser que o telefone dele está quebrado. Pode ser que a bateria do celular dele não está carregada. Pode ser um monte de razões. Por isso é ilógico concluir isto [meu amigo não me ama]. Só porque meu amigo não me liga não prova que ele não me ama. É uma linha inválida de pensamento. Isto é lógica budista.

Participante: Uma pergunta sobre o próprio método. Você explicou ontem que estamos fazendo nosso caminho por cada fator que nos influenciou, e depois começamos a combina-los em pares. Há uma lógica que nos permite combinar estes fatores em pares, ou é sempre um processo espontâneo?

Alex: Bem, não sei se deveríamos usar a palavra lógica aqui, mas existe um modelo para isto. Existem muitos modelos para isto que me vem à cabeça. Você quer num contexto budista? Posso lhe dar um modelo budista. Se pensarmos no lam-rim, os estágios graduais de como você se desenvolve em direção à iluminação: há o primeiro passo. Então você vai para o segundo passo, você não esquece o primeiro; você combina o primeiro passo com o segundo. Depois você adiciona o terceiro passo ao primeiro e segundo passo. É cumulativo. É como construir um prédio de vários andares. Quando você chega no segundo andar, você não destrói o primeiro. Você tem que manter o primeiro andar.

Outro modelo, que é talvez um pouco mais gráfico, é um mandala. Num mandala no qual há muitas figuras, nós somos a coisa toda. Nós somos todas elas. Não é como se fossemos somente a figura central; somos tudo. No modelo no qual não somos somente nosso sistema digestivo; o corpo é também o sistema circulatório e o sistema nervoso, e você é todos eles.

Então começamos a combinar as influencias positivas que recebemos destas categorias:

  • A família em que crescemos quando crianças.
  • Nosso país de origem, a cultura e a religião na qual nascemos (pode ser que mudamos; esta é outra categoria).
  • Os campos principais de estudo que aprendemos e os esportes que jogamos conforme fomos crescendo.
  • Todos os professores que tivemos.
  • Os parceiros que tivemos e os filhos que talvez você tenha.
  • Todos os amigos próximos que tivemos por toda nossa vida.
  • As fases significativas da nossa vida – os lugares diferentes que nós vivemos, os trabalhos que tivemos.
  • E você pode querer adicionar o que podemos inferir de vidas passadas. Agora, você nem precisa pensar em termos de vidas passadas; você pode simplesmente pensar em termos dos seus talentos naturais.

Estas são as oito categorias. Você poderia, tenho certeza, pensar em mais algumas. Então, você pode imaginar isto como um mandala: você representa cada uma destas categorias com uma imagem mental de uma pessoa ou algo que representa esta categoria – ou, se for difícil de imaginar, coloque-as em frente de você – e imagine que esta influencia positiva, essa luz amarela, emana de todas elas e, de fato, você é todas elas. Neste momento estas são todas as influencias. Todas as qualidades positivas que aprendi de todas categorias estão representados por este mandala, este sou eu: “é isto que quero passar, o que eu tenho a oferecer ao mundo.”

Este é um jeito de trabalhar com isto se você conseguir. Não é a coisa mais simples no mundo, mas acredito que, se você conseguir fazê-lo, é muito, muito animador. Porém, você tem que começar devagar e, com cada paciente, você tem que fazer isto de forma personalizada para a situação da pessoa.

Uma última pergunta. Então devemos ter tempo para tentar o exercício.

Participante: Uma pergunta terminológica. Estávamos falando sobre as influencias positivas e negativas que foram infligidas sobre nós. Ao lidar com uma influencia negativa, precisamos reconhecê-la, mas não enfatizá-la, não focar nela. Então, de um ponto de vista terminológico, qual é a diferença entre um reconhecimento saudável de algo, uma percepção saudável de algo, e mantendo uma ênfase exagerada, ou um focalizando-se nisto?

Alex: A diferença é se exageramos ou não. Veja, quando falamos sobre raiva ou apego:

  • Com raiva de alguém ou de algo, você se foca nos aspectos negativos, e você os exagera, e pode ser que você adicione ainda mais coisas negativas que não estavam lá, e você tende a ignorar os aspectos positivos. “Você falou isto para mim” e “você fez isto” – e esta é a única coisa que você se foca. Então você transforma isto em algo muito, muito grande. E você identifica isto à pessoa: “é só isto que ele é, esta pessoa terrível que falou essas coisas desagradáveis para mim.” Então pensa em termos de um grande, sólido eu, “tenho que me defender disto,” então você o rejeita, fica com raiva, ou empurra para longe ou algum tipo de resposta negativa.
  • A mesma coisa para apego ou desejo ardente, só que o oposto. Você exagera as qualidades positivas, ignora as negativas, adiciona ainda mais qualidades positivas e pensa “eu tenho que conseguir isto.” E se eu o tiver, não quero largá-lo. E mesmo se eu o tiver, quero ainda mais – mais do seu tempo.

O problema aqui é o exagero, portanto você tenta ser objetivo: “estas são as deficiências da pessoa. Estes são os pontos fortes da pessoa (ou do país, ou o que for). Tudo tem deficiências, pontos fracos e pontos fortes. Isto é normal.”

Bem, é claro que você poderia fazer uma grande analise do porque os seus pais têm as deficiências que eles têm por causa dos pais deles e tudo o mais. Claro, você pode fazer isto. Porém, o ponto aqui é não identificá-los com somente suas qualidades negativas. Reconheça-as sem exagerá-las. E, se você tem algum conhecimento do porque eles são assim, muito bom. Se não, esta não é a ênfase deste tipo de exercício (você pode fazer isto em um tipo diferente de terapia). E, então, deixe isto e comece a olhar as qualidades positivas. Pois, se eu reclamar do lado negativo, o que de bom vai sair disso? Certamente não me fará sentir feliz. Depois, olhe objetivamente para as qualidades positivas, não as exagere, aprecie e tente conseguir mais inspiração delas. Você não consegue inspiração das qualidades negativas. Você fica deprimido pelas qualidades negativas.

Porém, acho que não será muito útil introduzir toda essa ideia de perdão, de que irei perdoar meus pais pelos erros que eles fizeram. Isto é bastante arrogante na realidade, de que eu estou numa posição tão maravilhosa que eu olho para baixo, para eles, e os perdoo. Compreender e não mais pensar nisso é bem diferente de perdoar.

Exercício: Pensando sobre a Influencia da Nossa Mãe

Vamos tentar um dos exercícios. Um bom lugar para começarmos é com as nossas mães. Você pode começar com o seu pai, se preferir, mas realmente não faz diferença, pois, eventualmente, você terá que fazer isto com os dois. Todavia, como não temos tempo suficiente para tentarmos várias vezes – bem, vamos ver como vai acontecer. Vamos simplesmente usar um exemplo das pessoas que nos criaram, a família na qual crescemos, tudo bem, qualquer um que estava lá.

Começamos nos acalmando. Isto é muito importante no começo, acalmar quaisquer pensamentos ou sentimentos, ou algo assim, que você possa já ter tido quando veio à sessão – acalme-se. E, a maneira usual para fazer isto é simplesmente se focar na sua respiração: respire de maneira perfeitamente normal pelo nariz – assumindo que seu nariz não está congestionado – não muito rápido, não muito devagar; e se você tiver pensamentos recorrentes ou emoções fortes (é mais difícil com emoções), simplesmente tente deixá-los irem embora. Pois quando a respiração é bem regular e bastante calma, ela ajuda a nos acalmar. Ela é regular. Ademais, ela nos ajuda à centralizar; ela é física, então nos ajuda à não ficarmos presos nos nossos pensamentos e sentimentos. E, como expliquei ontem, se é difícil deixá-los ir você pode usar a ajuda da sua mão em forma de punho e então abri-la e deixá-los ir embora.

Percebi que a maioria das pessoas está com os olhos fechados. Mesmo que você ache mais fácil acalmar-se com os seus olhos fechados, realmente não recomendo. Há muitas razões para isto, mas a principal é que precisamos poder nos acalmar e nos aquietar nas situações do nosso dia-a-dia também. Se você precisa fechar os olhos para fazer isto, isto pode ser um grande obstáculo – imagine que você está dirigindo um carro e precisa ficar calmo, por exemplo. Portanto, é melhor treinar ser capaz de fazer essas várias coisas com os seus olhos abertos – eles não precisam ficar encarando algo – de uma forma que lhe permitirá ser capaz de treinar isto no dia-a-dia da sua vida. Normalmente simplesmente olhamos para baixo.

Então pensamos “sou um ser humano, como todo mundo. Eu quero ser feliz. Não quero ser infeliz. Tenho sentimentos, como todo mundo. E, se eu pensar negativamente sobre mim mesmo, isto faz me sentir mal, e como não quero ficar infeliz, então seria ótimo pensar em maneiras que possam me ajudar a ser uma pessoa mais feliz”.

Então trazemos à mente a imagem mental da nossa mãe. Não precisa ser uma imagem extremamente precisa dela se você não é muito bom em visualizar ou em lembrar – este não é um exercício de visualização; somente algo para representá-la. Na verdade, é bem interessante analisar qual é a imagem que realmente usamos para representar nossa mãe. Se for necessário, podemos recordar as deficiências ou as qualidades negativas dela, ver que eles surgem de causas e circunstâncias, e decidir que nenhum benefício é tirado ao ficarmos obcecados nas faltas dela. Ademais, sem negá-los, sem exagerá-los, simplesmente coloque de lado qualquer consideração a mais sobre eles. Sem negá-los, sem exagerá-los, simplesmente pense algo como “OK, este é o jeito que ela é. Todo mundo tem deficiências. Nada de especial nisto. E deficiências não somente em termos de como ela me tratou, mas em geral”.

OK. Somente para lhes dar um exemplo. Ao pensar na minha mãe: minha mãe não recebeu muita educação escolar. Ela tinha que trabalhar muito cedo, por isso ela não conseguia me ajudar com o meu dever-de-casa. Esta é uma deficiência, mas não era culpa dela: ela cresceu durante a depressão econômica, sua família era pobre, e ela tinha que trabalhar. Então, coloque isso de lado. Consigo compreender isto. Era uma deficiência, mas não é nada de mais. E esta era a realidade. Nada de mais.

Então pensamos nas qualidades boas da nossa mãe, o que ganhamos dela – ou o que poderíamos ter ganho (talvez éramos muito novos e tivemos nossos próprios problemas, e por isso não pudemos realmente apreciar essas qualidades boas da nossa mãe) – e nos focar nestes fatos com firme convicção. Depois, tentar reconhecer os benefícios que você derivou dela, até mesmo os muito simples, como o fato de que ela preparou nossa comida quando éramos crianças. (Veja, essas são as coisas que você pode ajudar seu paciente a se lembrar, se ele não conseguir pensar em nenhuma qualidade boa da mãe dele.) Quais qualidades boas aprendi dela, do exemplo dela? Foque nestes fatos com uma profunda apreciação e respeito.

Então imagine que uma luz amarela emana desta imagem da nossa mãe e que ela nos preenche, nos sentimos inspirados a desenvolver estas qualidades ainda mais. Sentimos-nos motivados, e imaginamos que a luz amarela emana da gente e inspira os outros a também desenvolver essas boas qualidades. Então deixamos nossa energia se acalmar, focamos de novo na nossa respiração, e então terminamos o exercício com o pensamento “que isto fique cada vez mais e mais profundo, que fique cada vez mais forte, este sentimento positivo, para que ele seja de maior benefício para mim mesmo e para todas as pessoas que eu encontrar.”

OK, este é o exercício.

Perguntas e Respostas

Perguntas? Comentários?

Participante: Uma pergunta bem simples. Quando estou praticando e, por exemplo, imagino meu pai ou minha mãe e penso que herdei as melhores qualidades que eles tinham, em poucos segundos começo a sentir isto. Portanto, qual o objetivo de fazer isto por dez minutos ou mais? Talvez a duração da prática pode ser determinada na base individual, já que todo mundo é diferente em termos de como se sente.

Alex: Claro que cada pessoa pode ter uma diferente velocidade. Se você está fazendo sozinho, é claro que você fará na sua própria velocidade. Na primeira vez que você faz o exercício para qualquer indivíduo particular da sua história, provavelmente você irá levar mais tempo do que das próximas vezes que você revisá-lo. Portanto, é um processo natural que ficará cada vez mais rápido.

O perigo de fazer o exercício muito rapidamente, especialmente no começo, é perder alguns dos pontos bons – você simplesmente escolhe os que são mais evidentes – e você não faz realmente uma analise profunda o suficiente. Afinal, a maioria de nós foi bastante exposta aos nossos pais à medida que crescemos, então há muitas coisas que, se você tirar um tempo para pensar e lembrar, você pode apreciar. Isto é especialmente importante se tivemos uma relação difícil com um dos nossos pais ou com alguém na nossa vida. Por isso não pensamos realmente nas qualidades positivas deles. E, se conseguirmos achar uma, então muito bom; mas se você se aprofundar cada vez mais e mais, poderá achar ainda outras.

É claro que a meta final é, como na visualização de um mandala, você não precisar fazer todo este processo analítico e simplesmente instantaneamente conseguir este sentimento integrado positivo. Ademais, ele acaba ficando natural, uma parte da sua maneira de lidar com a vida. Porém, isto demanda muito treinamento.

Alguém mais?

Participante: Então a ideia básica é que, após fazer esta prática, se for feita corretamente, a pessoa deverá ter um sentimento positivo mesmo que, no começo da prática, ela estava experienciando raiva ou estava quase chorando, por exemplo?

Alex: Sim. Essa foi fácil.

Participante: Uma questão sobre as qualidades negativas. Ontem compreendi que eu herdei certas qualidades negativas dos meus pais, então posso reconhecer minha responsabilidade por isto. Porém, existe algo que possamos fazer com essas qualidades negativas à parte de reconhecê-las, aceitar a responsabilidade e deixá-las ir?

Alex: Bem, há todo um processo de purificação – usando um termo budista – que podemos aplicar. Veja, o problema aqui é agir conforme essas qualidades negativas que possamos ter (por exemplo, ter pavio curto):

  • O primeiro passo é reconhecê-la.
  • Então sentimos arrependimento, que não é o mesmo que culpa. Culpa é “como mal isto é” e “como sou mau por ter feito isto,” e então você nunca deixa ir embora. Isto é culpa. Arrependimento é simplesmente “queria não ter feito isto. Preferia não ter isto.”
  • Depois tomamos a decisão: “tentarei não repetir isto.”
  • Então reafirmamos a direção positiva que queremos seguir na nossa vida. “Quero superar estas deficiências. Quero desenvolver cada vez mais e mais qualidades positivas.” Não precisamos fazer isto num contexto budista em que o objetivo é obter a liberação e a iluminação, simplesmente num contexto geral.
  • Então, para neutralizar os impulsos negativos que possamos ter, treinamos com o resto do exercício, que é enfatizar os pontos positivos para contrabalanceá-los. Quanto mais forte, familiar e mais profundo o hábito de construir as qualidades positivas, elas serão as primeiras coisas que virão à nossa mente, ao invés das negativas, quando estivermos numa situação.

Portanto, este processo de purificação, mesmo que deriva de um contexto budista, absolutamente não precisa do contexto budista para ser um método eficaz.

Participante: Podemos aplicar este método quando estamos trabalhando com experiências traumáticas que tivemos (por exemplo, se alguém foi de grande perigo para nós, foi nosso inimigo mortal)? Ou este método não foi feito para situações tão extremas e radicais?

Alex: Acredito que, para situações extremas nas quais fomos fisicamente ou sexualmente abusados, este não é um método apropriado. Precisamos aplicar outros métodos terapêuticos para lidar com situações mais extremas.

Em geral, os métodos que são sugeridos pelo budismo não são realmente feitos para pessoas que estão seriamente perturbadas emocionalmente. Você precisa estar bastante estável para aplicar os vários métodos, sendo num contexto budista ou fora de um contexto budista. Porque, aqui neste método por exemplo, estamos trazendo à tona velhas memórias; e se você está bastante instável, trazer à tona essas velhas memórias pode ser realmente devastador. Então precisamos ter cuidado em termos de não pensarmos que “oh, métodos budistas podem ser usados por qualquer um em qualquer situação.” Lentamente. Gradualmente. Há muitos, muitos métodos.

Participante: Existem métodos ou técnicas que podem ser usados para trabalhar com pessoas em situações de conflito (por exemplo, onde há um forte senso de ódio de um lado para o outro, como hoje em dia na Síria, ou quando uma nação tem um forte senso de ódio por outra nação)? Há métodos assim no budismo?

Alex: Bem, você está falando de uma sociedade inteira. E, para uma sociedade inteira, obviamente é algo muito difícil. Os métodos budistas têm que ser aplicados individualmente, então você trabalha com indivíduos. A única maneira que talvez você possa trabalhar numa escala maior é dentro de um sistema de educação e tentar apresentar uma visão mais balanceada e objetiva da história, das sociedades e assim por diante.

Ademais, como a Sua Santidade o Dalai Lama enfatiza bastante, seria de muita ajuda introduzir algum tipo de estudo de ética na educação básica das crianças. Estamos falando de ética secular, que respeita todas as religiões, mas não é baseada em nenhuma. É ética puramente baseada em biologia – de que todo mundo responde positivamente à afeição. Este é o fator básico que você tem biologicamente entre a mãe e o bebê recém nascido. É nesta base que você reconhece que todo mundo é um ser humano, todo mundo quer ser feliz, todo mundo gosta de ser bem tratado – somos todos iguais.

Então você aprende a diferenciar a pessoa do comportamento da pessoa. O comportamento pode ser inaceitável, mas não quer dizer que a pessoa é inaceitável. A pessoa continua a ser um ser humano. Se seu filho é desobediente, então você desaprova o comportamento dele; você não para de amar seu filho. Isto é algo que pode ser transposto para todo mundo. Se isto pode ou não ajudar numa escala maior, é difícil de se dizer, mas obviamente iria levar muito tempo para funcionar.

Duas últimas perguntas.

Participante: Você mencionou que este método pode ser praticado individualmente ou em grupo. Trabalhar em grupo implica que temos que fazer o mesmo que fizemos aqui, onde todo mundo pensa individualmente, individualmente contemplando a mesma questão? Ou pode ser feita outra coisa?

Alex: A vantagem de um grupo é que ele ajuda a dar alguma disciplina. As pessoas podem compartilhar suas experiências se elas sentem que estão num espaço protegido no qual o que elas falarem – as outras pessoas não vão rir delas ou algo assim. Por isso, esta precisa ser uma regra básica. Esta regra básica, o espaço protegido, pode ser estabelecida pelo líder do grupo, assim como um terapeuta faz um espaço protegido onde o paciente sente que pode se abrir e confiar no terapeuta. Portanto é a mesma coisa em termos de quais são as vantagens de uma terapia individual ou em grupo. São os mesmos parâmetros.

Participante: Ao trabalharmos com um momento particular da nossa vida que nos afetou, que teve alguma influencia sobre nós, existe algum ponto em que (podemos dizer que) o superamos completamente, e então já não precisamos mais retornar a ele, meio como superá-lo, ficar bom dele? Ou teríamos que necessariamente retornar a pontos tais como o efeito que nossos pais tiveram na gente, o efeito que nossa infância teve na gente? Há algum limite no qual podemos trabalhar totalmente um momento de um modo de que não precisamos mais retornar a ele?

Alex: Bem, se você está falando de um episódio difícil da sua vida, suponho que a pessoa precisa alcançar um estado que é chamado de equanimidade sobre o episódio. Equanimidade é definido como sendo um estado mental que ao mesmo tempo não rejeita, não se atrai e não é indiferente. Rejeitar – “estou muito zangado sobre isto e magoado, não vou deixar isto ir embora” – há um elemento de apego, pois você não quer deixá-lo ir embora e então fica obcecado nele. Ademais, não queremos ir ao outro extremo de negá-lo e ignorá-lo (“é muito difícil para mim lidar com isto, então vou fingir que não existe”).

Então, se você conseguir ser completamente aberto e relaxado sobre todo o assunto – “é isto que aconteceu. Isto é parte da minha história pessoal, como qualquer outra parte da minha história. Pode ser que tenha sido um período difícil, mas todo mundo têm períodos difíceis” – portanto você tem essa equanimidade, esta calmaria sobre o assunto, neste momento você não precisa mais trabalhar no episódio. “Ele teve um papel na minha vida. Reconheço isto. E o que é de mais importante é o sentimento negativo que eu tive por tanto tempo após o acontecimento. Isto também teve um papel muito grande na minha vida, e teve um efeito forte em como interagi com as outras pessoas e de como senti sobre mim mesmo.” Esta equanimidade, suponho que outras pessoas descrevem isto como aceitação também. Você aceita “é isto que isso foi. Estes são os fatos.”

Um outro ponto que me vem a mente, em termos de trabalhar em grupo, é trabalhar em família. Se você limitar a esfera que você irá examinar na vida de cada pessoa da sua família para simplesmente as interações delas como cada um e se, cada pessoa pudesse ouvir de cada membro da família as coisas positivas que aprenderam e ganharam deles, acredito que isto seria muito útil. Especialmente no caso de adolescentes rebeldes e os pais deles têm a impressão de que “oh, eles desaprovam tudo que eu faço, e eles me odeiam e só quererem se afastar. Eles têm vergonha de mim,” e assim por diante, isto pode ser bastante – se você conseguir criar a atmosfera que irá incentivar isto – maravilhoso se os adolescentes se abrirem e realmente admitirem que existam algumas coisas sobre seus pais das quais eles gostam, admiram e aprenderam deles. A mesma coisa pode ser feita em termos dos pais, sobre as coisas que eles admiram nos seus filhos. Não é como se eles estivessem sempre desaprovando. Então, você tenta dá-lhes um espaço no qual podem analisar, contemplar e tentar pensar nas qualidades positivas de cada membro da família das quais se beneficiaram, que admiram, que achem positivas. Obviamente, isto seria adjunto a pensar sobre as dificuldades dentro da família.

Isso nos traz ao fim do nosso tempo juntos. Quero agradecer muito a vocês por esta oportunidade de compartilhar isto com vocês. Se considerarem este tipo de prática útil, vocês podem usá-la, com muito prazer, por favor. Ademais, como a Sua Santidade o Dalai Lama sempre fala no fim dos seus discursos, das suas palestras: se vocês não considerarem isto útil, então esqueçam!

Obrigado.